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O dualismo entre homens e mulheres é uma realidade que apresenta inúmeras facetas. Machismos e feminismos à parte, há dezenas de conflitos e questões a serem analisadas que ultrapassam o simplismo. Longe de me sentir com propriedade para discutir, contudo, esses aspectos antropológicos, cabe-me a defesa da força feminina.

Dizer que as mulheres são o sexo frágil é, no mínimo, desconhecer a realidade de vida de quase todas as mulheres do mundo. Já registrando que não se trata de uma competição sobre quem faz mais ou menos, de quem é melhor, mais forte ou mais capaz, até porque acredito que somos, enquanto indivíduos, muito mais complexos do que as simplórias comparações que podem ser feitas. Somente é que é incontestável que não há um sexo frágil, tampouco que tal rótulo possa se aplicar às mulheres como um todo.

Embora a gente viva acreditando que ao virar o ano as coisas possam mudar, a verdade é que nem de longe isso acontece como gostaríamos. O que nos move, no fundo, é a esperança de que novos ciclos comecem e que antigos se fechem. Já escrevi sobre isso várias vezes, inclusive. Fico até pensando que fiz isso de forma inconsciente, talvez pensando em caixa alta e tentando me convencer disso.

O fato é que 2018 já gastou metade de seu primeiro mês e muito do que vejo por aí são os mesmos velhos problemas. Os pobres continuam pobres e os ricos continuam ricos. A classe média, como sempre, vive se espremendo para sobreviver, tarefa cada dia mais inglória. Passadas as festas de fim de ano, passou também o alívio de se ter superado mais uma etapa, bem como aquela sensação de que os problemas estavam pausados, meio suspensos pela animação e pela fé em dias melhores.

Essa semana o Brasil viveu um lamentável momento histórico. Nós, brasileiros, tivemos a triste tarefa de assistir mais um julgamento de um ex-Presidente da República. Independentemente de posição política, acho triste que isso esteja acontecendo. Triste não pela pessoa envolvida, de quem nunca fui sequer simpatizante e que jamais teve meu voto, mas sim porque nenhuma nação que se preze pode se orgulhar ou ficar feliz de ver aquele que um dia ocupou o mais importante cargo político, sentar-se no banco dos réus e, mais do que isso, sair de lá condenado por crimes que atingem, ainda que indiretamente, interesses de todos os cidadãos.

Eu tenho vergonha alheia pelo Lula! Vergonha por ter representado o sonho de tanta gente que nele votou e que agora tem que encarar, aceitando ou não, que ele foi condenado criminalmente, com julgamento confirmado em segunda instância. Vergonha de quem ficou alardeando que defendia os pobres, os necessitados, mas que só fez enriquecer aos seus e aos seus comparsas.

Esse texto talvez faça mais sentido para quem foi ou ainda é professor, mas, de uma forma ou de outra, todos já fomos ao menos alunos em algum momento de nossas vidas. Acredito que seja na área que for, a realidade das escolas e universidades não seja muito diferente ao final dos períodos letivos. No fim das contas, determinadas situações invariavelmente se repetem, passe o tempo que passar.

Lá já se vão quase vinte anos desde que comecei a dar aulas, mas muito antes disso eu era aluna e percebo que, de lá para cá, quase nada mudou quando o assunto é justificar o injustificável. Parece-me, tão somente, que é uma questão de perspectiva, do lugar que se ocupa, ou, falando mais diretamente, se o sujeito que dá as desculpas esfarrapadas é o aluno ou o professor.

Ele conseguira o mais difícil. Foram muitos e muitos dias à espreita, aguardando a oportunidade perfeita. Em muitos momentos ele tivera que ocultar seus verdadeiros instintos, suas reais ambições. As pessoas de fato eram muito ingênuas se não tinham se dado conta de que aquilo era certo, de que era o inevitável a ocorrer.

Por fim o dia havia chegado. Depois de uma longa espera, não apenas ele estava pronto, como a situação era a mais propícia possível. Com certeza ele não poderia ser culpado pelo resultado dos seus atos. Nem seria justo que, no fim das contas, fosse imputado a ele algum propósito menor, algum desejo que ele pudesse ter intenções escusas, quando, na verdade, tudo era muito claro: ele só desejava a liberdade, o livre arbítrio, o poder de se autodeterminar.

João sempre fora religioso e crente em Deus. Foi um daqueles meninos que todas as mães dos colegas tomavam como exemplo. Bom aluno, educado, gentil, foi um garotinho brincalhão, risonho e cheio de vida. Quando o pai adoeceu e ficou impossibilitado de trabalhar, João assumiu o papel de homem de casa e aos quinze anos passou a cuidar da padaria da família.

Dois anos depois da morte prematura do pai, seu Eulálio, aos 49 anos, João concluiu os estudos do ensino médio, trabalhando de dia e frequentando a escola à noite. Infelizmente o sonho de cursar uma faculdade teria que ficar para outro momento, outro tempo, outra vida talvez. João trabalhava com afinco e em momento algum maldizia a vida ou o destino que lhe privara de concretizar alguns sonhos. O pai, onde quer que estivesse, por certo estaria orgulhoso dele e isso lhe bastava.

Tento imaginar o quanto foi linda a cidade do Rio de Janeiro antes do descobrimento do Brasil. Todo o verde das florestas, o azul esmeralda do mar, o branco amarelado das areias, as dezenas de cores das exóticas aves, tudo isso banhado pelo amarelo dourado do sol. De fato, tivesse o poetinha passeado por lá naquela época, teria ficado sem palavras para descrever tanta beleza.

Estive uma única vez no Rio de Janeiro. Foi uma visita rápida, a trabalho. Não vi quase nada, mas o pouco que vi não me inspirou. Não dei, por certo, muitas chances à cidade maravilhosa, pois circulei por lugares feios, sujos e velhos. Não velhos como a história é velha, mas velhos como é aquilo que é abandonado. Definitivamente não me enamorei do Rio de Janeiro e nunca mais, até hoje, tive qualquer arroubo de lá voltar.

Acredito que poucos aromas são tão universalmente sedutores quanto o de pão saindo do forno e o de café recém passado. Onde quer que estejamos no mundo, esses verdadeiros perfumes são capazes de nos trazer reconhecimento, de nos transportar para lugares familiares. Particularmente, sempre associei os dois a boas e afetivas lembranças, desde as fornadas de pães nas casas dos meus avós paternos e maternos, até o cheiro de café que me saudava pelas manhãs nas quais eu ainda morava com meus pais.

Talvez seja por isso que minha refeição preferida, de longe, é o café da manhã, no qual, a despeito das modas “low carb”, não dispenso uma fatia de pão e uma xícara fervendo de café fresco. Degusto esse momento com vagar, feliz por ser capaz de fazê-lo e, nesse ato, preparo-me para mais um dia da minha história pessoal. Há alguns dias, no entanto, acresci a esse ato mais um forte sentimento.

Embora eu me considere uma pessoa ativa, que gosta de fazer muitas coisas diferentes, também aprecio dormir. Para além do fato de que uma boa noite de sono é capaz de recuperar nossas forças, de descansar nossos corpos, dormir me traz um bônus: os sonhos! Eu sonho todas as noites. Na verdade, se tiver a chance de tirar um cochilo no meio da tarde, em um final de semana, é quase certo que algum sonho venha me visitar também.

Considero os sonhos fundamentais. Através deles podemos viajar para lugares nos quais nunca estivemos e mesmo em lugares que só existem em nossas mentes. Da mesma forma, reencontramos entes queridos que já não estão nesse plano ou, conforme a crença de cada um, apenas existem em nossas lembranças e sentimentos. Sonhos nos dão asas e até nos permitem respirar sob as águas. Sonhar é desafiar o tempo, a realidade e o racional. Apesar das explicações científicas, sonhos são divinos e ponto final.

chegadas

Na semana que passou eu escrevi sobre um especial reencontro que estou vivendo através da criação de um grupo virtual, no WhatsApp. Lá reencontrei amigos de cujos nomes já nem me lembrava, bem como outros que eu aparentemente tinha deixado em algum lugar do meu coração, dormente, temporariamente esquecidos.

O engraçado é que por mais que eu saiba que todos nós agora temos feições muito diferentes daquelas que tínhamos há quase trinta anos, nos tempos em que cursávamos o colegial, atual ensino médio, eu ainda os imagino daquele modo, congelados no tempo. Trocando mensagens através do aplicado, descobri que vários deles também tem a mesma sensação.