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Depois que nosso gatinho, meu pretinho básico, Bento Marquinho, morreu, há alguns meses, em decorrência do agravamento de uma insuficiência renal, pensei que demoraria um pouco até adicionar um novo integrante à trupe animal aqui de casa. Menos de um mês depois, porém, adotamos um filhote, uma fêmea frajola, vinda de uma ninhada resgatada por uma amiga. E assim a Lili passou a compor nossa família multiespécie.

Como somos muito preocupados com a limpeza e higienização, dá bastante trabalho manter limpa uma casa com duas cachorras e cinco gatas. Para nossa sorte, todas fazem suas necessidades nos devidos lugares, o que facilita um pouco, mas, ainda assim, dedico algumas horas, diariamente, ao cuidado e limpeza. Por isso, inclusive, criamos um limite de lotação, o qual já estava atingido. Duas semanas atrás, porém, o destino resolveu subverter as coisas.

Estava eu em casa, aguardando meus alunos online finalizarem uma atividade, enquanto meu marido foi até o veterinário para levar as cachorras, que tinham hora marcada para o banho quinzenal. Eis que, minutos depois, ele volta com um gato adulto, cor de pêssego, com orelhas alaranjadas e imensos olhos azuis claro, no colo. Bem cuidado, usando uma coleira, pensamos, de início, que ele houvesse fugido e, assim, acolhemos o pobrezinho no intuito de encontrar os donos.

Horas depois, porém, soubemos que não era o caso. Segundo relatos, uma pessoa o entregou, em uma caixa de transporte, juntamente com outro gato, a um morador de rua, dizendo para “dar sumiço” nos dois. Uma senhora, moradora da comunidade aqui das proximidades, ao ver o gato ser atacado por cachorros, vendo que era muito manso e indefeso, o recolheu, levando-o até a clínica veterinária. E foi lá onde nossos destinos se cruzaram.

Por via das dúvidas, postei sobre ele nos grupos do bairro e avisei para quem foi possível, mas é claro que não apareceu ninguém. Fizemos os exames de praxe, para ver se era seguro deixá-lo com as nossas gatas e, após checarmos que tudo estava bem, sem coragem de deixá-lo à própria sorte, adicionamos mais um a nossa turminha.

Fico aqui pensando quem teria coragem de abandonar um animal tão dócil e que notadamente foi muito bem tratado durante os seus prováveis cinco anos de vida. Suspeito que talvez o tutor tenha falecido e alguém sem coração resolveu que o jeito era se livrar dos animais, como coisas sem valor. Do outro gato não se teve mais notícia, infelizmente.

O curioso é que o Léo, nome que agora ele ostenta, não foi rejeitado por nenhuma das gatas e muito menos pelas cachorras. Depois de passar dois dias assustado, escondido, hoje circula livremente pela casa, como se sempre estivesse estado aqui. Carinhoso, procura carinho, aninhando-se ao nosso lado por horas. Castrado, é educado e agora, também vacinado.

Nunca saberemos, creio, de onde ele efetivamente veio, nem o que aconteceu com seus antigos tutores, mas é certo que foi amado por alguém. Desde que atravessou a porta de casa, passou a ser amado por nós. Lotação ligeiramente extrapolada, exceto nos nossos corações.

Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e agora tem (socorro!) seis gatos – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo./www.escriturices.com.br