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Até alguns dias atrás eu não fazia a menor ideia do que significava a sigla MEG, muito menos de que a doença por ela nominada iria fazer parte do meu cotidiano. Embora seja bem clichê, a vida reserva surpresas e nem todas são boas. Em tempos de notícias dolorosas, acrescentei uma que jamais me passara pela cabeça.

Em novembro do ano passado nossa cachorrinha Gigi, então com um ano de vida, apresentou crises epiléticas e precisou ser hospitalizada por um dia. O episódio me assustou e consumiu, custando-me muitas horas e muitos recursos financeiros. Fizemos exames que não apontaram nada em específico e as crises cessaram, seguindo a vida sem maiores alterações nessa área.

Nascida na casa de amigos, uma cruza de Shitzu e Lhasa, Gigi é uma cachorrinha gorduchinha, brincalhona, gulosa e cheia de vida. Amorosa e apegada, está sempre por perto, procurando por carinho. Nosso caso foi de amor à primeira vista. Chegou em casa com dois meses e nunca chorou ou demonstrou qualquer dificuldade de adaptação, tornando-se companheira inseparável da Juju, nossa outra cachorrinha, meses mais velha.

Em março desse ano, quando já considerávamos que tudo não passara de algo isolado, talvez causado por alguma intoxicação, as crises voltaram em uma madrugada e dessa vez um pouco mais fortes, sendo necessários dois de internação, seguidos de uma consulta com profissional especializado, uma veterinária neurologista.

Mesmo com muito receio, decidi submeter a Gigi a uma ressonância magnética com coleta de líquor, pois era necessário descartar algumas doenças. No dia marcado lá fomos nós. Muito boazinha, aceitou todos os procedimentos, procurando-me com os olhos e, sendo possível, o meu colo. Aguardei durante três horas até que me devolvessem uma cachorrinha meio cambaleante pelo efeito da anestesia.

Um dia depois, com os resultados já no meu e-mail, mesmo sendo leiga, comecei a desconfiar que havia algo de errado, o que foi confirmado pela Neuro em uma difícil e dolorosa conversa. Gigi tem meningoencefalite granulosa, uma doença autoimune e degenerativa, para a qual, na maior parte dos casos, não há cura, mas tão somente tratamentos que visam aumentar a sobrevida do paciente. E foi assim que conheci a MEG.

Minha reação, logo após a incredulidade e revolta, foi de absoluta tristeza, eis que o prognóstico de vida não é muito longo, mesmo após um tratamento que é complexo e caro. Chorei os rios que há tempos vinha represando dentro de mim. Chorei porque me parece injusto demais com ela e porque não precisávamos passar por isso, nenhum de nós.

Fui dormir desolada, porque tudo me parecia despedida. Acordei com ela me trazendo o Pateta, boneco de pano que carrega pela boca o tempo todo, correndo em disparada para buscá-lo assim que o arremessamos pela casa. Como não lutar pela vida que ali ainda é tão evidente? Assim, reuni meus cacos, contei com o auxílio da minha família, minha fonte maior de amor, carinho e proteção, e decidi que lutar é a única opção.

Pesquisei todas as possibilidades, fiz contas, entendi-me com os Santos e agora estou reunindo minhas armas para enfrentar o invisível, o que se esconde por detrás do cérebro de minha pequena, minha companheira, minha filhinha de quatro patas. Não sei o que o futuro nos reserva, mas MEG não vai me encontrar desprevenida. Não tombaremos sem combate. Estarei com a Gigi na frente de batalha, pronta para levar o primeiro e o último tiro e que São Francisco de Assis nos ajude!

Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e não é amiga de uma MEG qualquer – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo./www.escriturices.com.br