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Em meu texto passado contei sobre a triste descoberta acerca de uma doença terrível, autoimune, que praticamente condenara uma de minhas cachorrinhas, a Gigi. Superado um luto inicial, comecei a procurar outras informações, tentando conectar pessoas cujos animais apresentassem o mesmo problema. Fui atrás de terapia quântica, homeopatia, reiki e ajuda espiritual. Tudo para que, ao menos ela pudesse ter os próximos poucos anos estimados, com qualidade de vida.

Na rede social Instagram localizei perfis de duas tutoras e seus cachorrinhos. Mandei mensagem e ambas me responderam rapidamente. De acordo com uma delas, a cachorrinha se encontra em tratamento, mas sem o quimioterápico que foi sugerido pela profissional que atendeu minha Gigi. Já a outra me enviou mensagem dizendo que o cachorrinho havia recebido diagnóstico errado e me pedia para contatá-la.

Ainda que a possibilidade me parecesse uma pequena luz no fim do túnel, hesitei uns dias, mas por fim entrei em contato. A mulher, a quem chamarei aqui de Liz, contou-me todo o percurso realizado e o sofrimento dela e de seu animal, o cachorrinho Freud, até que chegassem ao veterinário que aqui chamarei de Dr. Wilgner. Disse-me enfaticamente que procurasse o mesmo profissional, ao menos para ter certeza sobre a real condição da Gigi.

Aconselhada também por outra amiga veterinária, uma homeopata que consultei como tratamento complementar, que achou os exames não conclusivos, marquei um horário com referido profissional. Em pouco tempo descobri que o Dr. Wilgner é referência na neurologia e muito bem recomendado por vários outros veterinários. Por coincidência do destino, não foi possível começar o outro tratamento na data marcada, por conta de problemas pessoais da outra profissional e meus também.

Tentei não me munir de esperanças vãs, mas o coração é terra inóspita e lá fomos nós para ouvir uma segunda opinião. Logo de cara gostei muito do Dr. Wilgner, pessoa animada, gentil e muito comunicativa. Poucos minutos após examinar as imagens da ressonância, começou a rabiscar em um papel quais doenças já era possível descartar. Quando passou pela maldita MEG, afirmando que com certeza não era o caso, meus olhos me traíram e as lágrimas furtivas, fininhas, escaparam pelos cantos.

Após ouvirmos todas as explicações sobre o que de fato pode estar causando as convulsões na Gigi, senti o que não tinha sentido até então: segurança! De repente os números que me foram apresentados como datas de validade, como prazo determinado para que a alegria e a vida nos deixassem, perderam o sentido e tudo voltou a ser como de fato é: aleatório e imprevisível. Nem sei descrever as mil sensações que me invadiram, mas a principal delas era a gratidão.

Se não fosse a união de tantas pessoas, família, amigos, desconhecidos, veterinários, orações, energias positivas e a solidariedade, o desfecho seria complemente outro. Embora eu precise registrar que não estou escrevendo esse texto para denegrir o trabalho de ninguém e que respeito os diferentes posicionamentos profissionais, se um de seus amores, gente ou bicho, estiver em situação parecida, sugiro procurar sempre uma segunda ou terceira opinião.

Claro que o diagnóstico poderia ter sido o mesmo e por mais que não alivie, ter uma confirmação é fundamental. Eu precisava sentir que estava fazendo o certo, que não havia outra alternativa, que a dor do tratamento seria para dar a Gigi mais tempo de vida. Tivemos a dádiva de uma segunda chance e dela iremos fazer uso pelo tempo que Deus nos conceder.

Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e bem que avisou que não ia pegar leve com MEG nenhuma – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo./www.escriturices.com.br