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- Escrito por: Cinthya Nunes
João sempre fora religioso e crente em Deus. Foi um daqueles meninos que todas as mães dos colegas tomavam como exemplo. Bom aluno, educado, gentil, foi um garotinho brincalhão, risonho e cheio de vida. Quando o pai adoeceu e ficou impossibilitado de trabalhar, João assumiu o papel de homem de casa e aos quinze anos passou a cuidar da padaria da família.
Dois anos depois da morte prematura do pai, seu Eulálio, aos 49 anos, João concluiu os estudos do ensino médio, trabalhando de dia e frequentando a escola à noite. Infelizmente o sonho de cursar uma faculdade teria que ficar para outro momento, outro tempo, outra vida talvez. João trabalhava com afinco e em momento algum maldizia a vida ou o destino que lhe privara de concretizar alguns sonhos. O pai, onde quer que estivesse, por certo estaria orgulhoso dele e isso lhe bastava.
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- Escrito por: Cinthya Nunes
Tento imaginar o quanto foi linda a cidade do Rio de Janeiro antes do descobrimento do Brasil. Todo o verde das florestas, o azul esmeralda do mar, o branco amarelado das areias, as dezenas de cores das exóticas aves, tudo isso banhado pelo amarelo dourado do sol. De fato, tivesse o poetinha passeado por lá naquela época, teria ficado sem palavras para descrever tanta beleza.
Estive uma única vez no Rio de Janeiro. Foi uma visita rápida, a trabalho. Não vi quase nada, mas o pouco que vi não me inspirou. Não dei, por certo, muitas chances à cidade maravilhosa, pois circulei por lugares feios, sujos e velhos. Não velhos como a história é velha, mas velhos como é aquilo que é abandonado. Definitivamente não me enamorei do Rio de Janeiro e nunca mais, até hoje, tive qualquer arroubo de lá voltar.
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- Escrito por: Cinthya Nunes
Acredito que poucos aromas são tão universalmente sedutores quanto o de pão saindo do forno e o de café recém passado. Onde quer que estejamos no mundo, esses verdadeiros perfumes são capazes de nos trazer reconhecimento, de nos transportar para lugares familiares. Particularmente, sempre associei os dois a boas e afetivas lembranças, desde as fornadas de pães nas casas dos meus avós paternos e maternos, até o cheiro de café que me saudava pelas manhãs nas quais eu ainda morava com meus pais.
Talvez seja por isso que minha refeição preferida, de longe, é o café da manhã, no qual, a despeito das modas “low carb”, não dispenso uma fatia de pão e uma xícara fervendo de café fresco. Degusto esse momento com vagar, feliz por ser capaz de fazê-lo e, nesse ato, preparo-me para mais um dia da minha história pessoal. Há alguns dias, no entanto, acresci a esse ato mais um forte sentimento.
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- Escrito por: Cinthya Nunes
Embora eu me considere uma pessoa ativa, que gosta de fazer muitas coisas diferentes, também aprecio dormir. Para além do fato de que uma boa noite de sono é capaz de recuperar nossas forças, de descansar nossos corpos, dormir me traz um bônus: os sonhos! Eu sonho todas as noites. Na verdade, se tiver a chance de tirar um cochilo no meio da tarde, em um final de semana, é quase certo que algum sonho venha me visitar também.
Considero os sonhos fundamentais. Através deles podemos viajar para lugares nos quais nunca estivemos e mesmo em lugares que só existem em nossas mentes. Da mesma forma, reencontramos entes queridos que já não estão nesse plano ou, conforme a crença de cada um, apenas existem em nossas lembranças e sentimentos. Sonhos nos dão asas e até nos permitem respirar sob as águas. Sonhar é desafiar o tempo, a realidade e o racional. Apesar das explicações científicas, sonhos são divinos e ponto final.
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- Escrito por: Cinthya Nunes
Na semana que passou eu escrevi sobre um especial reencontro que estou vivendo através da criação de um grupo virtual, no WhatsApp. Lá reencontrei amigos de cujos nomes já nem me lembrava, bem como outros que eu aparentemente tinha deixado em algum lugar do meu coração, dormente, temporariamente esquecidos.
O engraçado é que por mais que eu saiba que todos nós agora temos feições muito diferentes daquelas que tínhamos há quase trinta anos, nos tempos em que cursávamos o colegial, atual ensino médio, eu ainda os imagino daquele modo, congelados no tempo. Trocando mensagens através do aplicado, descobri que vários deles também tem a mesma sensação.