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Essa semana o Brasil viveu um lamentável momento histórico. Nós, brasileiros, tivemos a triste tarefa de assistir mais um julgamento de um ex-Presidente da República. Independentemente de posição política, acho triste que isso esteja acontecendo. Triste não pela pessoa envolvida, de quem nunca fui sequer simpatizante e que jamais teve meu voto, mas sim porque nenhuma nação que se preze pode se orgulhar ou ficar feliz de ver aquele que um dia ocupou o mais importante cargo político, sentar-se no banco dos réus e, mais do que isso, sair de lá condenado por crimes que atingem, ainda que indiretamente, interesses de todos os cidadãos.

Eu tenho vergonha alheia pelo Lula! Vergonha por ter representado o sonho de tanta gente que nele votou e que agora tem que encarar, aceitando ou não, que ele foi condenado criminalmente, com julgamento confirmado em segunda instância. Vergonha de quem ficou alardeando que defendia os pobres, os necessitados, mas que só fez enriquecer aos seus e aos seus comparsas.

Vergonha ainda maior pela desfaçatez de vê-lo bradando em alto e bom som que é a pessoa mais honesta desse país.Seria muito temerário de minha parte afirmar que ele cometeu crimes se já não estivéssemos diante desse fato decidido pelo Judiciário brasileiro. Claro que agora há quem fique dizendo por aí que houve injustiça e sabe-se lá o que mais. A questão é que Lula, segunda a imprensa divulgou, acreditava que o resultado do julgamento seria 3 x 0 a seu favor e daí tudo bem, tudo certo. Quando deu o contrário, ou seja, 3x0 pela manutenção da acusação e aumento de pena, já não se estaria diante de um julgamento correto. Complicada, no mínimo, por assim dizer, essa forma de analisar as coisas.

Individualmente, contudo, esse resultado importa ao ex-Presidente, à família dele, advogados e aos aliados. No contexto geral, no entanto, gerou uma imensa discussão, na qual todos querem ter razão e que, não raras vezes, termina em ofensas pessoas e desentendimentos. Nesse sentido, malgrado as coisas boas que o governo PT fez e não nego que tenha feito, mas que não representam salvo conduto para perpetração de qualquer crime, tenho comigo que o PT como um todo, em seus discursos recorrentes, tenha feito mais um imenso desfavor ao Brasil: o de dividir as pessoas como se só houvesse um lado e um ponto de vista a ser defendido, decretando-se o fim do bom senso.

Desde criança eu escuto que há assuntos que são tabus e que não devem ser discutidos. Entre eles, a política. Difícil não fazer isso quando os destinos das pessoas dentro de um país dependem das atuações de quem ocupa cargos políticos. Complicado mesmo, ao meu ver, é tratar política como religião, como paixão futebolística. Não se pode ser cego nesse assunto, sob pena de caolhos se tornarem reis, a propósito.

O diálogo deve ser aberto e todos, independentemente “do lado” em que nos inserirmos, devemos analisar as coisas de forma global, o mais imparcial que pudermos. Ao contrário, como li esses dias, condenados estamos todos nós...