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O dualismo entre homens e mulheres é uma realidade que apresenta inúmeras facetas. Machismos e feminismos à parte, há dezenas de conflitos e questões a serem analisadas que ultrapassam o simplismo. Longe de me sentir com propriedade para discutir, contudo, esses aspectos antropológicos, cabe-me a defesa da força feminina.

Dizer que as mulheres são o sexo frágil é, no mínimo, desconhecer a realidade de vida de quase todas as mulheres do mundo. Já registrando que não se trata de uma competição sobre quem faz mais ou menos, de quem é melhor, mais forte ou mais capaz, até porque acredito que somos, enquanto indivíduos, muito mais complexos do que as simplórias comparações que podem ser feitas. Somente é que é incontestável que não há um sexo frágil, tampouco que tal rótulo possa se aplicar às mulheres como um todo.

Há, sim, pessoas frágeis. E essas podem ocupar corpos masculinos ou femininos. A fraqueza mesmo, por si só, pode ser física, moral, psíquica ou emocional. Ao mesmo tempo, é possível ser forte para determinadas batalhas e incapacitado para outras. Somos capazes de coragem e covardia. Só é impossível que eu conceba que as mulheres sejam simplesmente frágeis, como se isso as definisse.

Para início de conversa, sempre se espera que as mulheres estejam bonitas, bem-cuidadas. O custo de manter-se dentro dos próprios padrões de beleza, mesmo para aquelas que não se sujeitam (corretamente) aos parâmetros da sociedade na qual estão inseridas, é quase sempre alto. Trata-se de um custo de tempo, de resistência e de recursos financeiros. Só quem passou por uma depilação sabe, por exemplo, o quanto é complicado não berrar a plenos pulmões ou largar tudo após o primeiro puxão com cera quente.

Cuidar de uma casa é outro ponto à parte. Mesmo quando há quem ajude, a organização completa de uma casa pode se comparar facilmente à administração de uma empresa, só que tudo feito por uma equipe muito menor, quando não de uma única pessoa. Levantar mais cedo enquanto os demais dormem, no melhor do sono, tudo para deixar as coisas em ordem antes mesmo de sair para um longo dia de trabalho e ser a última a encontrar o descanso do travesseiro no fim do dia, por certo que não é para os fracos.

Ocupar postos de trabalho dos mais variados níveis, da encarregada da limpeza à executiva, enquanto se pensa nos filhos, nas demais obrigações que a aguardam no retorno, por certo não é coisa de se possa atribuir à fragilidade, muito menos quando se volta para casa depois de uma longa caminhada, de passar apertado no transporte coletivo ou após dirigir por longas horas.

Homens e mulheres não estão, ou não deveriam, estar nesse mundo para um competição, mas para se completarem como pessoas, como seres humanos. Nesse sentido, que as fragilidades de um se somem às forças dos outros, indistintamente. Nós, mulheres, por outro lado, não devemos permitir que nos rotulem do que quer que seja, mesmo sob o pretexto do amor. Também não somos O sexo forte. Queremos, unicamente, que nossa força se faça visível e respeitada. Juntos, todos, somos mais do que partes: podemos ser O todo.

P.S.: Em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres