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Esse texto talvez faça mais sentido para quem foi ou ainda é professor, mas, de uma forma ou de outra, todos já fomos ao menos alunos em algum momento de nossas vidas. Acredito que seja na área que for, a realidade das escolas e universidades não seja muito diferente ao final dos períodos letivos. No fim das contas, determinadas situações invariavelmente se repetem, passe o tempo que passar.

Lá já se vão quase vinte anos desde que comecei a dar aulas, mas muito antes disso eu era aluna e percebo que, de lá para cá, quase nada mudou quando o assunto é justificar o injustificável. Parece-me, tão somente, que é uma questão de perspectiva, do lugar que se ocupa, ou, falando mais diretamente, se o sujeito que dá as desculpas esfarrapadas é o aluno ou o professor.

Em muitas ocasiões, a situação é até cômica, quando não beira ao trágico. Nesses tantos anos na docência já vi de quase tudo, mas nada se compara à súbita onda de doenças de todas as naturezas que acometem os avós dos alunos ou, na falta deles, dos filhos. As pessoas passam bem durante quase todos os meses, mas, inexplicavelmente, em época de provas alheias (sim, porque se fossem as próprias até faria algum sentido), caem doentes e precisam que todos os netos, essencialmente os que precisam de notas ou de um abono de faltas, estejam com eles o tempo todo.

Por óbvio que há casos nos quais os infortúnios de fato bateram às portas das pessoas e, nesses casos, a empatia, o bom senso e a solidariedade devem ser os temperos das conversas e das decisões. O problema é que de tanto ouvir mentiras, vamos ficando ressabiados e os bons recebem a desconfiança que é causada pelos maus. Infelizmente as mentiras reiteradas eclipsam as verdades pontuais.

O mais curioso é que as pessoas ainda acreditam que determinadas narrativas são críveis. Tome-se o exemplo do aluno que passa o semestre todo ao celular, conversando durante a aula e mais faltando do que vindo. Nas redes sociais somente se vê imagens de viagens, de festas e de poses sorridentes ao lado de amigos e familiares. Contudo, após uma nota ruim ou diante da reprovação por faltas, veste-se de um luto fajuto e após lambuzarem-se de óleo de peroba e daí “senta que lá vem estória”...

Até entendo que algumas vezes todos nós arriscamos alguma desculpa fiada, mas há que se ter discernimento porque o ridículo espreita e as redes sociais desmentem tristes lamentos. No mínimo, embora não eticamente recomendável, é preciso saber mentir bem ou exercitar o poder de argumentação.

Engraçado é que depois de superadas as provas, tudo se normaliza, a paz volta a reinar nas famílias e a saúde brinda todos os corpos. É a festa do encerramento! As respirações se normalizam, a história é escrita e a vida que segue. Tudo pronto para o próximo semestre e que Deus proteja os avôs e avós que tem netos estudantes....