A pessoa que falou isso, porém, demonstrou não ter coração, nem mesmo respeito à vida animal. Aos 21 anos, a pessoa cujo nome prefiro não registrar aqui, mas que pode ser encontrado facilmente na internet, tamanha a repercussão do caso, “cortou por cortar”, nas próprias palavras dele, as patas do cavalo que o carregara por quatorze quilômetros.
O crime, sim, pois o ato cometido é criminoso, torpe e cruel, aconteceu na cidade paulista de Bananal, no dia 16 de agosto de 2025, ano em que escrevo, com pesar, este texto. Admito que sequer sabia da existência de tal município. Após uma rápida pesquisa, descobri que se trata de uma Instância Turística, sendo a cidade mais próxima do Estado do Rio de Janeiro, com uma população, de acordo com dados do Censo de 2022, com pouco mais de nove mil habitantes.
Após uma cavalgada, o animal, cujo nome e idade não foram divulgados ou, ao menos, eu não encontrei, deitou-se, exausto. Na sequência, aquele que nele estivera montado durante o longo percurso, seu tutor, quem deve deveria cuidar, após avisar a um amigo que o acompanhara em outro cavalo, que se tivesse coração, não deveria olhar, decepou, sem qualquer razão ou justificativa (não que alguma fosse possível), as patas do animal.
A meu ver, lendo as notícias, a história está mal contada, mas compete à polícia e a perícia descobrir a verdade dos fatos. Para mim, porém, é muito estranho que o amigo tenha filmado a cena monstruosa, sem fazer ideia o que estava acontecendo, da mesma forma que não acredito que o criminoso só tenha mutilado o animal após perceber que ele estava morto.
Por outro lado, intimamente, torço para que o pobre cavalo não estivesse vivo. Naquele contexto, tratava-se, ao menos em tese, de um animal de estimação, que vivia próximo do tutor, ainda que para ser por ele explorado. Mesmo que tivesse morrido pelo cansaço, já seria uma crueldade a morte em si, somada ao despropósito de uma mutilação “feita por fazer”. Se ele estava ainda vivo, é um ato inominável.
O que leva alguém a fazer uma coisa dessas? Juro que não sei. O autor dos fatos, que os admitiu, alega que estava sob efeito de álcool, mas que o animal já estava morto. Agora, queixa-se por ser rotulado de “Monstro”. Anjo, por certo, não lhe veste bem. Infelizmente, por conta de uma legislação que não equipara cavalos ao mesmo tratamento punitivo dado aos agressores de cães e de gatos, o autor do fato está solto.
Apesar da pena irrisória que se aplica ao caso, este se tornou notório, comovendo pessoas de todo o Brasil, incluindo personalidades públicas e organizações de proteção animal.
A Prefeitura local emitiu uma nota de repúdio, assim como o Conselho Regional de Medicina Veterinária, condenaram o ato. Ativistas se pronunciaram nas redes sociais e o pobre animal, que foi anônimo na vida, explorado à exaustão, mutilado em corpo e alma, celebrizou-se na morte.
O algoz, diante da comoção nacional, agora se diz arrependido, mas eu honestamente não acredito. Pode estar arrependido é de ter pedido para filmarem ou deixar que o fizessem, talvez. Arrependido de que agora as pessoas saibam do que ele é capaz, sobretudo depois de afirmar que “é da área, que está sempre entre cavalos e gado”, porque isso, por certo, vai ou deveria, colocar um alerta sobre ele, sobre como são tratados os demais animais que ficam sob seus “cuidados”. E, além disso, quem garante que foi a primeira vez?
A maldade, meus amigos, parece nunca encontrar limites. Todos os dias vemos casos de extrema violência, gratuita e indefensável contra vulneráveis, sejam idosos, crianças, mulheres, doentes e animais. Em algum plano isso precisa ser reparado, freado, seja pela lei dos homens, seja pelas regras do Criador. O que me assusta é a quantidade de pessoas que acreditam que somos o melhor, o centro do Mundo e isso nem diz sobre religião.