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carnaval

Os bloquinhos de Carnaval estão em alta. Aqui na cidade de São Paulo são mais de 600, espalhados por vários bairros. Muitos deles, inclusive, já deram as caras no pré-carnaval, além da programação dos dias oficiais e de mais um fim de semana de pós-carnaval. Ou seja, o mês de fevereiro caiu na folia, mas não necessariamente no samba. Não me animo, porém, diante de um aglomerado de pessoas que dançam todos os ritmos, embaixo de sol ou de chuva.

A gente descobre que ficou velho quando começa frases dizendo “No meu tempo”... Pois bem, no meu tempo, Carnaval era época de escutarmos, cantarmos e dançarmos ao som do samba. Até hoje muitos daqueles sambas-enredo ainda são famosos, transformados em ícones, símbolos de um estilo musical e algumas gerações. Podem me chamar de saudosista, mas nunca mais ouvimos novos sambas como aqueles.

Nasci uns dias antes do Carnaval. Talvez, naquela época, já houvesse as comemorações antecipadas. Coloquei meu bloco na rua, em estreia, num pré-carnaval. Sempre afobada, não quis esperar o desfile oficial. Gosto de samba, do batuque reverbera no mesmo ritmo do coração, mas, lamentavelmente, possuo zero talento para sambar. Dois pés esquerdos e ausência total de coordenação motora. Assim, impedida de dançar sem pagar mico, contentei-me em cantar samba, sendo sempre ruidosamente aplaudida pelos azulejos do banheiro. Se a energia elétrica e a água não custassem tão caro, meus shows durariam bem mais, inclusive.

Na adolescência, porém, aproveitei os bailes de Carnaval. Em alguns anos eu até gabaritei, divertindo-me durante cinco noites e duas matinês. Saudades da sopa de cebola que me aguardava na casa da minha amiga inseparável, minha best, como agora se diz, de acordo com os últimos downloads de vocabulário jovem que fiz. Nunca me faltavam forças, nem mesmo disposição, para cantar e dançar (daquele meu jeito) até quase o sol raiar.

A imensa maioria dos meus feriados de Carnaval, porém, tem servido para estar com a família, viajar e/ou descansar. Tenho como meus blocos favoritos os “Unidos do Pijama”, “Acadêmicos da Netflix” e “Mocidade Dependente da Vila Miau”. Os desfiles acontecem sem hora marcada e quase todos ganham nota máxima, sendo convocados para desfilar novamente.

Não me julgue antecipadamente, caro leitor. Não estou criticando quem prefere curtir o feriadão na Avenida, ao som da bateria ou se divertir nos bloquinhos de música sertaneja, rock e mpb. Apenas já fiz a minha parte, só isso. Ninguém me arrasta hoje para um lugar com gente suada demais por metro quadrado, nem sempre conveniente e com senso de oportunidade.

Encarar estrada congestionada e levar oito vezes mais de tempo para chegar até a praia ou mesmo ao interior do Estado, também é algo que não me seduz. Para passar raiva e perder preciosos momentos, já tenho outros candidatos. Não dou conta de congestionamento, desde sempre. Nada, porém, que seja incontornável, se possível sair e voltar com alguns dias de folga.

Seja você devoto ou não de Momo, que o seu Carnaval tenha alegria, diversão, segurança, que seja esboço de futuras boas lembranças. Que se torne crônica, poesia, saudade. Depois dele, segundo reza o dito popular, o ano novo começa de vez. Depois do pós-carnaval, talvez...

Contra o mau-olhado eu carrego o meu patuá. Acredito. Hoje é dia do riso chorar! Liberdade, Liberdade, abra as asas sobre nós e não deixe o Samba morrer...

 Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e tem samba no coração, mas não no pé – / www.escriturices.com.br

 

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