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pascoa

Acredito que entendi a razão dos ovos de Páscoa serem trazidos por coelhos. Pelo preço absurdo que estão custando, só podem ser ovos de coelho. Como, na natureza, coelhos não colocam ovos, isso explicaria, pela raridade e ineditismo, os preços pelos quais estão sendo comercializados.

Quem foi criança há algumas décadas vai se lembrar de como os ovos de Páscoa eram generosos, tanto no tamanho quanto no recheio. Hoje em dia, a camada de chocolate é tão fina que quase parece casca de ovo mesmo, daqueles de galinha. Nem sinal daqueles muitos bombons que os recheavam. Ao invés disso, dois bombons solitários dividem espaço com algum brinquedo de plástico barato.

É certo que, se bem me lembro, alguns chocolates eram de qualidade bem questionável, e não havia tantas opções quanto há hoje, mas ainda assim, era uma delícia ganhar mais ovinhos, coelhos e guarda-chuvinhas de chocolate do que se dava conta de comer. A gente só terminava de comer tudo quase um mês depois. Podem me chamar de saudosista, mas, no quesito guloseimas, a Páscoa era bem mais legal.

Não tenho dados concretos, mas me parece que, a cada ano, mais ovos de chocolate permanecem nos supermercados após o domingo de Páscoa. Eu me lembro, ao contrário, de períodos nos quais não era prudente esperar muito para comprar os ovos de Páscoa, pois se corria o risco de não se encontrar os mais procurados. Tenho a sensação de que os estandes de exposição diminuíram em tamanho tanto quanto os ovos de Páscoa.

Em algum momento, no passado não tão distante, as empresas resolveram que era uma boa ideia colocar um brinquedo dentro dos ovos de Páscoa e, daí para frente, tudo foi por água abaixo. Não que o problema seja o conceito, mas substituir os bombons por bobagens plásticas inúteis, só fez aumentar os preços e diminuir o chocolate. Alguns fabricantes tentam ainda vincular personagens famosos e queridos pelo público infantil e adulto, na expectativa de conquistar mais clientes, o que comercialmente pode dar resultados, mas é uma decepção para quem procura chocolate em quantidades adequadas para um bom chocólatra.

Óbvio que há excelentes chocolates à venda, impecáveis no sabor e na qualidade, mas que têm um ponto negativo em comum com os chocolates vendidos nos supermercados: o preço elevado. Em resumo, para quem não tem orçamento disponível, é mais negócio comprar chocolate em barras mesmo, se bem que as caixas de bombons, dessas populares, estão bem mais caras do que estavam na Páscoa passada.

Nunca se teve tantas opções disponíveis, de fato. É chocolate branco, chocolate preto, chocolate amargo, chocolate Ruby, chocolate ao leite, chocolates de diferentes porcentagens de cacau, chocolate sem glúten, sem açúcar, sem chocolate e agora, uma nova categoria se anuncia: o ovo de chocolate sem compradores!

Há, porém, uma esperança para os admiradores dos ovos de Páscoa fartos, raiz. Os modismos vão e vem, e o que era ultrapassado, uma hora vira tendência. Então, quem sabe um dia, de repente, alguém ache por bem voltar a vender ovos de Páscoa sem enganação ao consumidor, com chocolate bom, de tamanho real, repleto de recheio e capaz de ser adquiridos para crianças de todas as classes sociais. Feliz Páscoa!

 
Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e já caçou ovos de coelho em tempos menos áridos – /www.escriturices.com.br

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