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18 anos

E foi em um dia 10 de fevereiro, há dezoito anos, que virei tia. Não sei sobre as demais pessoas, mas no meu caso, nunca foi algo sobre o que me detive em pensamentos. Acho que, no fim das contas, ser tia ou tio é algo que acontece, porque não se trata de algo que seja planejado por nós. Ainda assim, hoje, quatro sobrinhos depois, afirmo que foi e é uma das melhores emoções da minha vida.

Cada um deles, como nem poderia deixar de ser, é único e amado de um jeito especial. Brinco que são meus favoritos e preferidos, todos eles, no mundo todo. E é claro que tem seus defeitos, humanos que são, para os quais nem fecho os meus olhos, mas os estreito, na condescendência de um amor infinito. Pecados de tia coruja? Pode ser, mas os assumo, sem pudores ou arrependimentos.

E tudo isso começou há dezoito anos. Fui trabalhar pela manhã, em um sábado, e, quando voltei, fui conhece-la. Uma trouxinha vermelha e com muitos cabelos escuros, quase cobrindo a testa. Foi amor à primeira vista? Não sei, porque talvez só as mães amem assim, mas foi encantamento ao primeiro olhar. Naquele instante, selei, dentro de mim, um sentimento que sequer sei explicar e soube que aquela pessoinha, de pouco mais de três quilos, habitaria minha existência para todo o meu sempre.

O passar dos meses, dos primeiros anos, numa metamorfose imprevista, tornou-a uma menininha de cabelos cor de milho, com um sorriso maroto e olhar de flecha certeira, uma franco atiradora de emoções. Descobri que amar tem compartimentos que eu não conhecia, nos quais fiz morada eterna.

Sempre que eu os visitava, ela se agarrava em mim, queria que tomássemos banho juntas, que dormíssemos juntas. No meio da noite, tantas vezes, enquanto dormia segurando minha mão ou aninhada ao meu ombro, ela acordava e dizia baixinho: Tia, eu te amo. As lágrimas, as mesmas que correm pelo meu rosto agora, escorriam quentes, resultado do calor que acalentava minha alma, repleta do mais puro amor.

Divertida, engraçada, bem-humorada, sempre com uma resposta na ponta da língua, também mostrou seus traços geniosos. Ao ser questionada por que teria mordido, aos 3 anos, nas bochechas, um coleguinha de classe, dava de ombros, sem maiores explicações, assim como nunca explicou quem era a amiga invisível, a Renatinha, que, segundo ela, flutuava no teto do quarto. Naquela época, admito, tive um tico de medo de dormirmos juntas, nós três.

O tempo passou rápido demais. Uma moça surgiu no lugar da menina, mas todos nós, uma vez mais, saímos ganhando. Dona de um coração imenso, carinhosa, solidária, amorosa, linda de viver, Isadora é mais do que minha sobrinha. Hoje é minha amiga, pessoa com quem divido o amor pelos livros, que me entende quando digo que nunca os possuo em títulos suficientes, com quem dou risadas sobre assuntos variados.

Quem te adora, Isadora? Muita gente, com certeza, mas nunca duvide que eu, sua tia, sua amiga, estarei aqui para sempre, até que Deus me leve e, se Ele permitir, mesmo depois disso. Você me ensinou que o amor de tia é especial, é sagrado, é recompensador. Obrigada por ser essa pessoa incrível e nunca, jamais, se esqueça disso! Que sua vida seja longa, próspera, plena, feliz e, se puder, não se esqueça de mim.

Felizes dezoito verões, amor meu.

 

Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e tia coruja demais – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo./www.escriturices.com.br