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Admito que fiquei um pouco frustrada. Embora o jogo tenha sido emocionante, com gols de Vini Júnior, com Neymar passeando pelo campo, com juiz larapiando gol do Brasil, a grande e esperada atração, prometida e anunciada por uma vidente brasileira, não aconteceu: os alienígenas não apareceram!

Para situar aqueles que não sabem do que se trata, nesta semana uma vidente brasileira, uma tal de Vó Bahiana, que é catarinense, e que se intitula terapeuta holística e sensitiva, fez uma previsão ousada: aconteceria uma abdução em massa durante um jogo da seleção brasileira. Admito que não me inteirei exatamente, mas parece que os aliens levariam todos os jogadores brasileiros ou parte deles, bem como cerca de 700 pessoas da plateia.

Eu nunca tinha ouvido falar dessa senhora, mas pelo que descobri depois, muita gente sim. A mulher tem mais de vinte e quatro milhões de seguidores em uma rede social, segundo uma matéria que li na internet. A ser verdadeiro esse número, talvez até alienígenas a sigam e, intimidados com a revelação de seu plano de invasão, tenham desistido da coisa toda.

A vidente teria sonhado com isso, em um sonho premonitório, com direito à nave-mãe e alguns jogadores escolhidos a dedo para irem para outro planeta. Fato é que essa história, no mínimo engraçada, viralizou, ganhando destaque, sobretudo virando piada. O brasileiro, um sofredor, é também um piadista nato e uma chance dessas não poderia passar batido.

Quero crer que pouquíssimas pessoas tenham de fato acreditado nessa história, mas diante da expectativa de um jogo fraco, valia a pena assistir, diante da chance de um acontecimento inusitado. Qual a razão para os Ets escolherem o jogo do Brasil foi a primeira coisa que me ocorreu. Será que tinha algum fã do futebol brasileiro, alguém que teria vindo aqui na época de ouro da seleção e, retornando agora, achou por bem levar o Neymar embora?

Diante das anunciadas vagas para a plateia, teve muita gente dizendo que se a tal nave aparecesse, iria se voluntariar. Se eu estivesse lá, porém, ia depender muito da aparência e da abordagem dos alienígenas. Caso levantassem o dedo indicador para o céu e arriscassem um “telefone, minha casa”, talvez eu considerasse a possibilidade, mas depois de assistir a outros filmes, eu teria certo receio de ser servida como petisco ou de ter um alien crescendo na minha barriga.

Pelo sim e pelo não, a gente ficou de olho, mas, no fim das contas, os aliens não apareceram. Ou, de repente, até foram, discretamente, mas desistiram do intento, porque, no fim das contas, o jogo foi bom – ainda que, neste caso, pudesse ter levado o juiz com eles. A vidente, porém, voltou à mídia e disse que não errou, pois teria acertado outras previsões feitas no mesmo dia, como a ocorrência de terremotos.

Inegável, porém, que a estratégia de marketing foi excelente. Provavelmente, até em outros planetas já se ouviu falar disso. Quem sabe, para não chatear os brasileiros, eles venham no próximo jogo? Se eu estivesse por lá, iria fantasiada de ET, só por garantia. Em ano eleitoral, se os alienígenas resolverem dar as caras, se anunciarem abdução em massa, terão que enviar outras naves para dar conta do carreto. Só acho.

Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e não vai de carona na nave porque tem labirintite – /www.escriturices.com.br

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