
E eu que afirmo não gostar de assistir a jogos de futebol, estou pagando minha língua. Nesta Copa do Mundo, tenho assistido a grande maioria deles, sempre que os horários me permitem. Até porque muitas atrações e emoções foram prometidas. Primeiro, como escrevi no texto passado, a abdução coletiva que não aconteceu, mas que prendeu a plateia mais esperançosa e, depois, pelo ranço de provar que o tal economista alemão estava errado.
Para quem não sabe, Joachim Klement, conhecido como “guru das copas”, afirmou, meses atrás, que o Brasil perderia para o Japão no primeiro jogo mata-mata, sendo desclassificado. O alemão teria acertado os vencedores das três copas do mundo anteriores. O brasileiro, essa mistura maravilhosa de muitos povos, bateu o pé, apertou as figas e ficou na torcida, também pela Seleção, mas com certeza para provar que o economista metido a vidente estava errado.
Quem acompanhou o jogo foi sofrendo e xingando o alemão que, até certa altura, parecia mesmo ter acertado mais uma. Até que o jogo empatou e depois virou. Lá se foi o Japão, que por sinal fez muito bonito e, levando a reboque, a previsão do “Joaquim”. Neymar, nas redes sociais, ironizou o fato, ao que o alemão retrucou algo como “não se alegrem, pois ainda pegarão a Holanda na final que, inclusive, segundo ele, seria a campeã. Pouquíssimo tempo depois, o mundo viu a Holanda ser eliminada, em uma partida emocionante, para o Marrocos. Eu, se fosse ele, de agora em diante, me dedicaria a tentar acertar os números das loterias, mas em silêncio...
Mas as emoções não pararam por aí. Alemanha ser eliminada pelo Paraguai foi a zebra que fez muita gente errar apostas. Futebol, como se diz, é uma caixinha de surpresas e, em tempos de Copa, é bola na rede que vale. Assim, se em um dia se comemora de salto alto (sete), no outro, sete é a soma de quatro a três. Brasileiro só tem memória ruim para política. Para o futebol, a gente nunca esquece. Auf wiedersehen, Alemanha.
Mas voltemos ao Brasil. Vamos fingir que não temos os zilhões de problemas que massacram o brasileiro, somente por alguns dias. E pode ser por pouquíssimo tempo mesmo, inclusive. Não sei quando este texto será lido, mas escrevo em um tempo anterior ao confronto, nas oitavas de final, com a Noruega, aquela lá das remadas, dos vikings e do gigante loiro de quase dois metros de altura, o Erling Haaland, cuja alta performance já o coloca como um dos atletas mais bem pagos do mundo, aos vinte e cinco anos de idade.
O homem é uma máquina, com porte de gigante e capaz de correr como um velocista. Sim, quase todo mundo está bem curioso para ver como será esse jogo, mas o melhor, sem dúvida, é o bom humor do brasileiro. Basta uma rápida olhada pelas redes sociais para encontrar uma série de memes, de piadas, de imitações, envolvendo o cara cujo nome, se lido corretamente, tem uma conotação ainda mais hilária. Aqui, deixo o leitor encarregado de pesquisa própria, para o texto não sofrer censura, rs.
A melhor montagem envolvendo o nórdico foi feita com IA, em referência ao filme “As branquelas”, sendo protagonizada por Vini Jr. e Halland. Porém, o ainda mais bacana foi o próprio Halland também ter visto, curtido e interagido, afirmando que ele e o jogador brasileiro precisavam recriar aquela cena. Vini Jr também respondeu com risos. Esse espírito é parte do que faz o esporte um integrador, o que permite transpor barreiras culturais, econômicas, raciais etc.
Mas daqui onde escrevo, deste tempo do antes, o jogo ainda não ocorreu. Nem faço ideia do resultado, embora, claro, torça para o Brasil. Duvido, porém, que será (ou tenha sido) fácil, para qualquer um dos lados, assim como duvido que o senso de humor irá imperar. Lembrei-me de uma fala do filme “Meu nome não é Jonny”, de 2008, e que pode servir para qualquer resultado deste confronto Brasil e Noruega: “Eles são grande, mas nóis é ruim”. Que vença o melhor!
