
Se eu não tivesse seis gatos e duas cachorras, com certeza teria uma galinha. Provavelmente umas duas ou três, além de um galo. O fato de morar em um bairro residencial e em uma casa com um quintal pequeno talvez dificultasse um pouco as coisas. Acredito que um galo cantando antes das cinco da matina poderia irritar alguns vizinhos de sono mais leve, mas, ainda assim, admito, tenho saudades de criar galinhas.
Aos sete anos, ganhei de minha avó materna um galo e quinze galinhas. Três anos depois, quando nossa família decidiu se mudar de volta da chácara onde morávamos, para outra cidade, eu não fazia ideia do que fazer com quase cento e cinquenta galinhas, galos e pintinhos. Nunca tive coragem de deixar que matassem nenhuma das minhas penosas, limitando-me a surrupiar os ovos dos ninhos.
As galinhas são animais inteligentes e capazes de sentir emoções como medo e alegria. Além disso, são capazes de reconhecer rostos humanos e de identificar seus semelhantes. Galinhas são subestimadas e, segundo estudos, vivenciam o luto e até sonham enquanto dormem. Pela minha experiência com elas, galinhas gostam de carinho e são divertidas. Sem dizer o quanto é incrível ter parentes de dinossauros por perto.
Os planos já estavam até prontos. Eu iria comprar alguns pintinhos desses coitados que vivem espremidos em lugares insalubres, à venda em estabelecimentos duvidosos, tudo para lhes dar uma chance de vida digna. Depois, talvez, procuraria por mini galinhas, que acho fofas demais! Eu as criaria soltas no quintal que teria e colheria ovos frescos todos os dias. Elas teriam nomes e viveriam os quase dez anos de que são capazes.
Codornas também seriam bem-vindas, com seus ovinhos de casca com pintinhas coloridas. Pensando bem, já que eu teria galinhas e codornas, seria bacana construir um pequeno lago para que os patos e marrecos pudessem se exercitar. Nada muito grande, mas que comportasse algumas carpas coloridas, para enfeitar o ambiente. Quem sabe sapos pudessem dar o ar da graça? Seria demais!
Fecho os olhos e até consigo imaginar as tocas de coelhos, repletas de filhotinhos. A horta ficaria com as portas fechadas, para evitar ser vandalizada, mas a colheita daria conta de alimentar quase todos eles. O queijo que eu faria com o leite das mini cabras e mini vacas seria servido às visitas, no café da manhã, acompanhado da geleia dos morangos colhidos nos canteiros ao lado do lago.
Tudo muito simples. Basta que a primeira das galinhas encontre o caminho de casa, da minha casa.
