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argentina

Prometo que não irei tão cedo escrever sobre futebol novamente. Aliás, nem me lembrava de quando o havia feito antes desta Copa do Mundo, nem mesmo quando havia assistido a um jogo inteiro de futebol, quanto mais a vários deles. Prova de que a vida, assim como o futebol, é uma caixinha de surpresas. O que não foi exatamente uma surpresa foi a seleção brasileira não chegar sequer às quartas de final.

É certo que em época de Copa do Mundo, todos viram árbitros, técnicos, artilheiros e goleiros. Todos sabem quem deveria ser escalado para cada posição, quem não deveria estar no banco de reservas, quem deveria, como chutar corretamente um pênalti, como a própria avó seria capaz de acertar, entre outras coisas. Então, por que razão eu, que nada sei de futebol, afirmo que o Brasil não era o mais forte candidato a levar a taça?

Torci para o Brasil até o último momento, mas quando vemos os jogos de outros países, por mais que eventualmente torçamos contra, como Argentina e França, fica claro que o futebol não é mais uma espécie de patrimônio brasileiro. As seleções mundo afora, também se especializaram. Então, como se pode notar até o momento, muitos times pequenos, considerados azarões, mostraram que com garra e treino, dá para se fazer muita coisa.

Neste momento em que escrevo, ainda não sabemos quem será o Campeão. Tenho uma aposta, completamente baseada nas minhas leigas impressões. Acredito que será uma disputa entre França e Argentina. E daí, xingue-me quem quiser, vou torcer para Argentina. Primeiro porque não tenha nada contra país algum, mas segundo porque, para mim, os argentinos têm jogado com raça, com vontade mesmo e prefiro torcer para los hermanos.

Mas ainda sobre o clima da Copa, é engraçado ver como o Brasil passou de ter pânico do gigante viking Haaland, para admirá-lo como exemplo de atleta e de ser humano. Além de fazer a parte dele, o norueguês tem se destacado como um símbolo de humildade, de empatia e educação. Entrou na onda dos brasileiros, riu junto e mostrou que, no fim, riu melhor. Não sei como a Noruega se sairá nos demais jogos, ou como se saiu, a depender de quando você, leitor, esteja lendo este texto, mas enquanto estiver em campo, terá minha torcida. Ganharam de nós porque jogaram melhor e bola na rede é que ganha jogo.

Enquanto isso, no Brasil, todo mundo acertaria o pênalti perdido. Coitados dos goleiros e de quem cobra pênaltis, a propósito. Vai de herói a vilão em segundos. Certo que ganham para isso (e muito bem), mas, além do nervosismo, tem um treco chamado sorte (ou azar) que costuma interferir no destino também. E o Neymar? Virou algo como uma espécie de ódio nacional. Inegável que o jogador tem uma história admirável na Seleção Brasileira, mesmo que agora não tenha conseguido manter o desempenho. Se ele deve se aposentar ou não, disso não faço a menor ideia, mas o Brasil não perdeu por causa dele, que entrou em campo por poucos minutos e marcou um gol.

Acabando a Copa, todos os técnicos e jogadores de sofá se voltarão aos seus cargos cotidianos, mas, sem dúvida, mais um capítulo interessante da história do esporte foi escrito. Mais do que os jogos, são os bastidores que fizeram tudo mais interessante. Histórias de superação, de perseverança e humildade que em contraste com desrespeito, arrogância e falta de garra, demonstram que há campeonatos nos quais se compete sozinho.

Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e só é uma curiosa sobre futebol – /www.escriturices.com.br

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