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como as guerras afetam o meio ambiente 3

Por princípio considero toda guerra uma imbecilidade. No fundo, sempre é uma questão de dominação política, uma disputa de poder, de dinheiro, de espaço, seja físico, aéreo ou marítimo. Se eu tivesse um único dia de audiência com o Criador, pediria tão somente que tirasse dos seres humanos a ganância, o egocentrismo e a cretinice. Só isso já resolveria muita coisa. Infelizmente, penso, sem querer aqui ofender a qualquer religião, mesmo porque mal entendo de coisa alguma, mas talvez os primeiros seres humanos não teriam errado por comer uma maçã, mas sim por assinarem um contrato sem ler as letras miúdas. Seja lá o que for, alguma coisa deu muito errado.

Já começa que, a rigor, nem há propriamente apenas “mocinhos” e “bandidos” em uma guerra. Nem mesmo há perdedores e vencedores. Quando penso em cada mãe que perde seu filho, em cada pessoa que nunca mais verá aqueles a quem ama, nos feridos no corpo e na alma, na destruição de construções históricas, nas gerações que se perdem pela “coragem” de alguém que, à distância, dá ordens, aperta um botão, sorri para câmeras, faz discursos inflamados, ninguém me convence do contrário.

Na escola, a matéria de História sempre me pareceu uma longa e interminável narrativa de conflitos e cômputo de mortos. Lógico que sei que as grandes guerras mundiais trouxeram importantes revoluções e avanços científicos, comerciais, medicinais etc. Não ignoro nada disso, mas é lamentável que o custo sejam incontáveis vidas. E nem me refiro apenas à vida humana.

Um dos pontos que mais me causa indignação é pensar em como o meio ambiente fica devastado pela estupidez humana, essa praga que somos, infestando e destruindo. Somos como cupins no planeta, mas nos achamos deuses. Florestas nas quais reinava o equilíbrio, a paz, com espécies ainda sequer descobertas, são implodidas por bombas humanas, seja para testes, seja para conter o inimigo. Os animais, danos colaterais sequer contabilizados.

E no mar, imagino, tudo muito pior. Ninguém vê, ninguém nota ou parece se importar com a vida que desaparece em meio os bombardeios. Só destruição, só morte, tudo sem qualquer sentido. A economia, senhores, sempre ela, nem que seja para o próprio bolso, dos apaniguados ou da própria corja.

Registro que não estou aqui defendendo lado A ou B de guerra alguma, passada ou atual. Minha revolta é com a guerra em si mesma, com a incapacidade das resoluções amigáveis, com a ausência de empatia, com a crueldade, com a dor de quem fica com as ausências eternas, de quem permanece aos pedaços.

Nunca fui daquele tipo de pessoa que lamenta ser brasileiro. Embora eu ande bem desiludida, há tempos, com os homens e mulheres que ocupam os cargos de poder aqui nesta terra abençoada por Deus e bonita por natureza, com a quantidade de escândalos, de desonestidades, de covardes e bandidos que se escondem sob todo tipo de vestes, sou grata por viver em um país menos beligerante, sem temer exatamente que uma bomba enviada por algum ditador ou megalomaníaco caia sobre minha casa, num apagar sem sentido algum.

Sequer assisto ou gosto de filmes de guerra, muitos dos quais romantizam algo abominável ou criam em meninos tolos, o desejo de esconder suas fraquezas por detrás de uma arma, sem que se dê a exata dimensão de que os soldados são somente números para quem de fato se beneficia com os grandes conflitos bélicos.

Lobos de nós mesmos? Antes fôssemos, pois a luta entre lobos é justa e individual. Somos nossa maior ameaça, escondida por egos inflados, por ditadores cruéis, por malucos que se acham representantes de Deus na terra. Aliás, em nome Dele, inclusive, se cometem atrocidades indizíveis. Agora, em que as décadas da existência consomem os meus dias, compreendo o gesto de abanar as mãos, sorrir e dizer que o maior sonho é a Paz Mundial.

 

Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e pacifista – /www.escriturices.com.br

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