
E foi dada a largada. Ainda há pouco comemorávamos o Natal e olha lá janeiro se encaminhando para o final. O tempo está passando rápido demais. Normalmente o primeiro mês do ano costumava durar uns 56 dias, mas agora esse tempo foi reduzido para uns 15. Deve ser porque já aconteceu muita coisa em um ano para o qual as expectativas de fortes emoções nacionais são altas.
Como ouvi esses dias na internet, neste ano temos que eleger um Presidente, tentar o Hexa, sobreviver aos grupos de WhatsApp, não aceitar convite de qualquer amigo para trilha, desconfiar se o Brad Pitt nos chamar nas redes sociais, sobreviver a algumas “músicas” de Carnaval e rezar para o Trump não acordar com vontade de anexar mais nada. Além disso tudo, em um ano de muitos feriados, acrescente-se a eterna vigília para não endoidar, manter a forma, pagar os boletos e ainda beber dois litros de água por dia.
É o jogo da vida, sempre repleta de desafios. Por certo que muito melhor estar dentro da roda do que se despedir de tudo, partindo para luz, mas dá um pouco de tensão esse tanto de coisa por acontecer ao mesmo tempo. Excessos e brincadeiras à parte, é fato que 2026 promete ser ano intenso.
Quando eu paro para pensar nisso, em tantas coisas das quais preciso dar conta, enquanto sinto minha respiração se acelerar, forço-me a lembrar de que a maior parte de tudo isso não está, nem de longe, no meu controle e que as coisas serão como tiverem que ser, goste eu ou não. O que me cabe, porém, é ter atenção a cada momento, é vivenciar cada emoção, cada crise, cada alegria, certa de que tudo é passageiro, inclusive a vida. A cada dia, o seu bem e o seu mal.
Há, porém, atitudes que podem nos ajudar, a meu ver, a superar os desafios que nos são apresentados diariamente. Se não podemos evitar certos aborrecimentos, se a vida adulta nos exige a coragem e a resiliência, então a forma de encaramos isso é capaz de reduzir um pouco o desgaste emocional. Talvez um dos segredos seja não levar tudo muito a sério, a ferro e fogo. Nem toda discussão justifica uma briga, nem todos os contratempos exigem nosso mau humor. Divergências políticas, religiosas, conceituais e filosóficas podem dar espaço à reflexão, a maleabilidade ou podem ser ignoradas sumariamente. Retirar-se não é perder.
A nossa passagem por esse plano, por essa existência, é muito curta. Para alguns é quase um sopro, infelizmente. Aqueles que têm o privilégio de uma vida longa certamente vivenciarão uma gama maior de emoções, mas, seja como for, ninguém de nós está isento de percalços. Aceitá-los é um desafio que, vencido, antecede às boas coisas. Pena que, às vezes, estamos sempre com o olhar no que será, esquecidos do que está sendo.
No fim de 2026, com sorte, saberemos o que foi deste ano, quais aventuras teremos vivenciado, o que se achegou e o que partiu. Janeiro já mostrou a que veio e ainda nem acabou, ao contrário das minhas férias, que escorreram, apressadas, entre os meus dedos. Que tenhamos, todos, tempo. Tempo de viver, de conhecer os novos hits, as novas histórias, de acompanhar as novas tretas que vão surgindo, que estejamos no meio da vida, hidratados, seguros, saudáveis de corpo e de alma. Que possamos rir, ao fim e ao cabo, inclusive de nós mesmos e de nossos temores. Permanecer é vencer. E vamos que vamos, a todo vapor.
