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o gato

Se alguém me dissesse há seis anos que um dia eu teria 5 gatos e que minha cama seria acessível a eles, eu provavelmente chamaria essa pessoa de louca. Em outros textos já escrevi sobre como a Chica Maria, meu primeiro amor felino entrou em minha vida. Até então eu nunca tinha sequer considerado ter um gato como animal de estimação.

A vida toda convive com gatos, mas era uma relação diferente. Eu os via como animais arredios, que nem sempre gostavam de carinhos e que se apegavam ao lugar e não às pessoas. Quando a Chica chegou, minúscula e subnutrida, depois de ser resgatada das ruas por onde vagava atrás de comida, precisei rever todos esses equivocados conceitos.

Foram necessários poucos dias até que ela se habituasse a dormir no meu colo, não raras vezes entrelaçando as patinhas entre minhas mãos. Um dia me dei conta de que estava irremediavelmente apaixonada e soube, como se sabe muitas coisas importantes, que ela nunca mais iria embora.

Depois dela, de forma diferentes, mas sempre pelo mesmo motivo, vieram os outros quatro. Preciso confessar que não adoto outros porque há um gasto financeiro bem razoável para que todos sejam mantidos com saúde, além da limitação de espaço. Mas preciso dizer que gostar de gatos é um caminho sem volta. Nunca conheci ninguém que, gostando verdadeiramente de animais, tenha adotado um gato sem se encantar.

Desde que a Chica abriu caminho para a Belinha, Nina, Bento e Lika, ajudei muitos outros gatinhos a encontrar um lar. E sempre que uma adoção dá certo é um sentimento muito bom que me invade. Fico feliz pelo animal que vai ter a chance de viver a salvo das ruas e/ou do abandono, mas sobretudo pelo adotante que, com toda certeza, irá enriquecer sua vivência nesse mundo e se transformar em alguém melhor.

Lógico que amo todos os animais e que ter cães em companhia é tão maravilhoso quanto. Tanto é verdade que até tenho duas, rs. Em casa cães e gatos já se acostumaram com as presenças uns dos outros e nem se estranham mais. Vivem em harmonia e vez ou outra até brincam juntos. A questão é que os gatos foram malvistos, injustamente, durante muito tempo.

No dia 17 de fevereiro se comemora o Dia Mundial do Gato. A data, criada por uma instituição italiana em 2002 surgiu para promover a conscientização quanto aos maus tratos aos quais muitos felinos ainda são submetidos. Infelizmente ainda há muita ignorância e preconceito quando se trata de gatos.

Aos poucos, no entanto, algumas coisas vão mudando. As pessoas vêm abrindo espaços em suas casas e corações para os gatos e, segundo dados do IBEGE, já ultrapassa de 22 milhões o número de felinos no Brasil. Na internet eles já são os animais mais procurados nas pesquisas. Para os gatos, no mundo, uma nova fase se anuncia, com mais esperanças de dias melhores.

Particularmente não compreendo como algumas pessoas podem ser tão cruéis e como outras preferem ficar completamente indiferentes diante do sofrimento dos animais. Haverá um dia no qual as pessoas vão perceber o quanto agem de forma irracional, sobretudo o quanto menosprezam criaturas indefesas como os gatos.

Se as pessoas derem uma chance que seja aos felinos irão experimentar a sensação de que é preciso ter um gato de cada cor para se sentir completo. Em troca receberão muito ronronar, carinhos, gracinhas e um cangotinho gostoso para acariciar. Vez outra ganharão um presente inusitado, algo que varia de uma simples folha até um morcego ou rato.

Gatos são bolinhas de amor, cheios de personalidade, autolimpantes e que não tem apego ao lugar, mas sim às pessoas as quais são apegados. Ame um gato. Você só entenderá quando o fizer e não se arrependerá.

Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e é acordada todas as madrugadas por uma gatinha que quer brincar – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo./www.escriturices.com.br