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Carnaval

Embora em um passado distante eu tenha aproveitado os feriados de Carnaval de uma forma mais ativa, dançando e me divertindo com amigos, há muitos anos somente aproveitei os dias livres para descansar, assistir meus programas preferidos, ler meus livros e principalmente para estar em família.

Feriados, de um modo geral, principalmente para quem trabalha, estuda, costumavam sempre ser bem vistos e aguardados. Pausas necessárias para relaxar um pouco, encontrar amigos, descansar, viajar. Mesmo para aqueles que não gostam do Carnaval e da folia de Momo, o feriado prolongado podia ser vivido de modo proveitoso. Mas isso, grosso modo, ficou no passado.

Esse ano, com a pandemia, o Carnaval, ao menos oficialmente, foi cancelado. Particularmente entendo que deveriam ser proibidas as festividades, por conta da aglomeração e o risco de maior disseminação do vírus, mas o feriado poderia ser mantido. Contudo, entendo que como muitas pessoas simplesmente não acreditam no perigo e na letalidade da doença, a ausência do feriado prolongado é uma medida de cautela.

No final do ano foi possível constatar que apesar de todos os pesares, de todas as advertências feitas pelas autoridades, muitas pessoas estiveram aglomeradas, desrespeitando o isolamento social recomendado. O resultado disso foi o aumento de infectados e mortos. No mínimo faltou e falta bom senso.

Não defendo o fechamento do comércio, entretanto, pois acredito que economia precisa subsistir, já que as pessoas têm contas a pagar e continuam precisando adquirir produtos e serviços. Com os cuidados adequados é possível salvar empregos e minimizar o colapso econômico. Subestimar o vírus, no entanto, é outra coisa. Tem gente que não dá a mínima, não usa máscaras, vem lotando praias, festas e aglomerando sempre que pode, esquecendo-se de que o preço a pagar pode ser a vida e não apenas a própria.

Nesse Carnaval, assim, a cuíca não vai chorar, tampouco o mestre irá abrir alas. Seremos todos pierrôs apaixonados, mas não queremos acabar chorando. Precisamos desfilar na avenida das nossas esperanças, no desejo de que a Liberdade, ah a Liberdade, por fim abra as asas sobre nós. Não vamos deixar o samba morrer, nem mesmo o samba acabar, mas o momento não é de sambar.

Como diria o poeta, “ainda é cedo amor”, cedo demais para irmos embora, para deixarmos vazia a passarela. Temos que ter paciência, um pouco mais, até em respeito aos que se foram antes de terem a chance da vacina. Ao menos agora há um vislumbre de tempos melhores, depois de dormirmos um ano inteiro em retalhos de cetim, em meio aos pedaços de muitos dos nossos sonhos.

Se não fraquejarmos haverá outros carnavais. Não é hora de desistirmos, mas malandro é malandro e mané é mané e acredito que muitos vão transformar esse não-carnaval em festa, à revelia da cautela. Já eu, vou para Maracangalha, aquele lugar dentro de mim onde posso sonhar com o bem que virá, que se aproxima. Contra mal olhado eu carrego meu patuá!

Canta, canta minha gente, deixa a tristeza pra lá. Canta forte, canta alto, que a vida vai melhorar”. Tristeza, por favor vá embora. Se eu perder esse trem, só amanhã de manhã e alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho... 

Cinthya Nunes é jornalista, advogada, professora universitária e tem uma mãe que não dorme quanto ela não chegar – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo./www.escriturices.com.br