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Como já contei aqui nesse espaço, há alguns meses eu trouxe para nossas vidas a Juju, uma cachorrinha branca que tem a aparência de um maltês de salto alto. Embora tenha cara de maltês, não tem propriamente o tamanho de um. Claramente é uma mistura entre raças, mas seja lá o que for, deu uma excelente combinação de genes, sobretudo no comportamento.

Juju é uma cachorrinha extremamente dócil com outros cães, gatos e pessoas. Gosta de carinho, é brincalhona e adora passear. Tem a estranha mania de andar pela casa nos puxando pelos calcanhares ou mordicando nossos chinelos (em nossos pés) e faz isso quase sempre que quer alguma coisa. Educada, normalmente faz xixi e cocô nos lugares certos e considerando que ainda tem 10 meses, nem faço conta das vezes nas quais ela erra. Afinal de contas, quem nunca, rs?

Infelizmente, logo que chegou em casa, com cerca de três meses de idade, Juju pulou do sofá e fraturou a pata direita dianteira. Embora não tivesse que operar, ficou com uma tala durante uns 45 dias, até que pode ficar livre para correr, brincar e passear novamente usando todas as patas. Lamentei muito o ocorrido, mas atribuí a um acidente, algo bem típico de crianças. E assim, por dois meses tudo transcorreu sem maiores problemas.

Aproximadamente há três meses notei que a Juju mancava da pata traseira esquerda. Ela não tinha caído de nenhum lugar e, como sempre faço, corri para o veterinário. E foi aí que começou minha nova jornada veterinária. Para resumir, depois de tentar alternativas menos invasivas, fazer acupuntura, buscar a homeopatia, resolvemos aceitar os diagnósticos obtidos através de uma bateria de exames de raios-X e da consulta de muitos especialistas. Ela teria que ser operada.

Juju tinha necrose asséptica da cabeça do fêmur. Em palavras leigas, a cabeça do fêmur não recebia a irrigação necessária de sangue e começou a esfarelar, seca. Essa condição é dolorosa para o animal (pessoas também podem ser acometidas desse mal) e ainda que não se saiba com acerto quais as causas, na maioria das vezes o tratamento é o cirúrgico, consistente na remoção da área necrosada.

Confesso que foi muito difícil decidir pela operação, mas por minha conta saí lendo tudo que achei sobre o assunto e vê-la pulando em três patas, sem conseguir apoiar a quarta no chão, já se atrofiando, era mais doloroso. Diante das muito boas probabilidades de sucesso nesse tipo de procedimento, optei por tentar resolver o problema de uma vez ao invés de seguir buscando paliativos. E nessa semana, enfim, ela foi operada.

Como toda cirurgia havia riscos, principalmente os ligados à anestesia e enquanto não soubemos que ela estava acordada, de volta, não conseguimos relaxar. Para quem ama seus animais de estimação, essa espera em nada difere do que acontece com algum ente humano querido. Mesma aflição, mesmos receios e mesmas orações, com direito à promessa e tudo o mais.
Eu tinha muito medo do pós-operatório, de como lidaria com um filhote sem muita locomoção, mas tudo se mostrou infundado. Dentro de um macacão cinza colocado para evitar o acesso dela ao corte de três centímetros no quadril, veio uma cachorrinha um pouco grogue da anestesia, mas que se levantou todas as vezes para fazer seu xixi no lugar certo, que toma os remédios tranquilamente e que tem se comportado como uma lady.

Fosse eu a ter retirado a cabeça do fêmur há três dias e muito provavelmente esse texto nem seria escrito, mas a Juju já abana o rabo querendo ir passear, tarefa que dentro de quinze dias eu anseio em poder cumprir. O amor é assim mesmo, penso. No fim das contas, só anseia pelo bem daqueles que lhe são caros e, não raro, da paz das pequenas e deliciosas rotinas da vida.

Cinthya Nunes é advogada, jornalista, professora universitária e a louca dos bichos – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.