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Sendo uma pessoa agitada, inquieta, várias vezes julguei interessante a ideia de meditar, de praticar algo que me ajudasse com relaxamento e concentração. Sem qualquer informação sobre, achava que a Yoga poderia ser uma opção, mas acabei não me aventurando, meio por falta de tempo e meio por falta de ânimo mesmo. A quarentena, essa experiência insólita proporcionada pelo ano de 2020, mudou isso também para mim.

A ignorância é realmente uma aliada dos piores e mais equivocados julgamentos. Acreditava que a Yoga era uma prática meio passiva, centrada em respirar, expirar, meditar e não pirar. Causava-me preguiça a ideia de ficar parada em uma única posição por longo tempo, somente vibrando e recebendo energia do universo. Tinha certeza de que não era minha praia.

Antes do início do isolamento social eu estava me exercitando com frequência, praticando várias modalidades, fosse natação, musculação ou aikido. Sem poder sair de casa, entretanto, tentei usar a esteira elétrica que possuímos, mas o que me sobrou de intenção, faltou-me em ação. Acho insuportável ficar andando para lugar nenhum, implorando para o tempo passar. Parece que coloco 5 horas dentro de 30 minutos. Super entendo a razão pela qual muitas esteiras elétricas são abandonadas, ainda na infância, pelos seus donos, covardemente.

Um dia, lendo sobre aplicativos interessantes para a quarentena, descobri um sobre Yoga, bem recomendado pelos usuários. Mais por curiosidade do que por qualquer outra coisa, baixei o programa no meu celular e vi que era possível fazer várias aulas gratuitamente, como degustação. A apresentação era muito bonita e ainda se podia escolher o tipo de Yoga, quais partes do corpo exercitar e por quanto tempo. Resolvi arriscar e fiz a primeira aula, tendo uma imensa surpresa.

Tudo bem que fiz a opção pela Hatha Yoga, uma forma de Yoga que, segundo eu tinha lido em algum lugar, é mais vigorosa, mas terminei os 15 minutos de exercício com muita satisfação e suor. O programa é realmente ótimo! Todo em vídeos e com excelente som instrumental ao fundo. Além da filmagem, os exercícios são narrados e é possível ir corrigindo os erros dessa forma.

Gostei tanto que acabei fazendo uma assinatura anual por um valor único que é menor do que apenas uma mensalidade de várias academias. Achei bacana que eles disponibilizam um formulário para o usuário enviar uma mensagem caso não tenha condições de pagar a assinatura, justificando seus motivos.

Registro que na minha opinião um aplicativo não substitui a prática em ambiente adequado e com professor supervisionando, mas ajuda bem nesse momento em que não é possível ainda estar com outras pessoas em práticas conjuntas e fora de casa. Eu ao menos não me sinto segura para me deitar no chão, mesmo que sobre tapetes próprios, em locais nos quais circulam várias pessoas. Sinto falta da minha natação, dos meus amigos aikidocas e lamento profundamente essa tragédia que se abateu sobre o mundo, mas precisei encontrar uma forma de me manter ativa fisicamente, de modo seguro.

E foi assim que peguei gosto e comecei a praticar quase diariamente a Yoga, na sala de casa mesmo, tudo bem improvisado. O mais louco de tudo é que, tendo duas cachorras e cinco gatos, assim que inicio os exercícios toda uma galera se aproxima. Algumas posturas eu faço rindo, tentando me desvencilhar das lambidas e pulos, sobretudo nos primeiros minutos. Nessa semana, entretanto, a cena foi digna de registro.

Já estava no final do treino. Era fim de tarde, a sala à meia luz, tudo bem silencioso, somente com a música instrumental ao fundo. Notei que uma das cachorras estava dormindo sobre as almofadas, até roncando. Uma das gatas, que por sinal prefere a companhia canina à felina, estava deitada de barriga para cima, parecendo desmaiada. Deitei-me para o relaxamento final e, para completar, a outra cachorrinha, a Juju, deitou-se ao meu lado, encostada ao meu corpo. Em poucos segundos eu era a única criatura acordada entre as quatro praticantes de Yoga. Posso concluir que o aplicativo, que curiosamente se chama Down Dog, foi amplamente aprovado aqui em casa.

Cinthya Nunes é jornalista, advogada e não está ganhando nada para fazer propaganda de qualquer aplicativo, mas não acharia nada ruim – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.