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Definitivamente, 2020 será um ano histórico, daquelas datas que se transformam em marcos e referências futuras. Infelizmente, não por bons motivos. Como criatura mortal, é natural, ainda que lamentável, que todos os anos tenhamos perdas de vidas humanas. Em 2020, no entanto, a par de todas as outras causas que roubam a existência dos homens, ainda lidamos com a tragédia do Corona Vírus.

No mundo todo já são centenas de milhares de mortes causadas pela Covid-19 e nem sabemos quando isso irá parar. A maior esperança, talvez única, reside no surgimento de uma vacina. Embora muitas estejam em fase de testes, acredito que vários meses ainda serão necessários até que possamos lidar com o Corona com mais chances de sucesso. Até lá, não fazemos ideia do alcance da doença e, para além da prevenção, buscamos contar com a proteção do Universo.

Como já ressaltei várias vezes nesse espaço, sobre esse tema, como leiga, mais escrevo conjecturas do que qualquer outra coisa. Acredito, contudo, piamente, que uma das causas dessa pandemia decorra do descaso com o meio ambiente. E nem assim somos capazes de perceber que o planeta agoniza. As pessoas continuam fazendo tudo como sempre fizeram. Continuam consumindo freneticamente, jogando lixo nas ruas, nos rios, submetendo os animais a todo tipo de crueldade. A Covid-19 não nos irá redimir, não nos iludamos.

Desconheço a realidade de outros países e não me fio no que os noticiários escolhem mostrar, mas pelo que constato no Brasil, a população está dividida entre aqueles que estão preocupados com a doença e podem ficar em casa, aqueles que podem ficar, mas não ficam e nem se importam e, por fim, aqueles que se preocupam, mas que precisam trabalhar. Mesmo diante do medo do vírus, o pavor de pratos e estômagos vazios também deve ser respeitado.

E justo agora, em que algumas cidades retomavam suas atividades, por conta do descaso de muitos, há a possibilidade de que tudo volte a fechar novamente. Extermínio de vidas e de postos de trabalho. Trata-se de um equilibro complexo, pois são eventos relativamente dependentes. Demissões em massa são noticiadas todos os dias e basta um simples olhar para lamentar a quantidade de imóveis com placas de vende-se ou aluga-se.

Não bastasse tudo isso e ainda somos assombrados pela possibilidade que uma nuvem de gafanhotos chegue ao Brasil nos próximos dias. É possível que essa horda de famintas criaturas altere sua rota e que sejamos poupados de mais essa desgraça, mas ao menos agora enquanto escrevo, tudo ainda é incerto. O potencial de voracidade desses insetos é assustador. Por onde passaram, devoraram tudo o que estava pelo caminho. Quase impossível não pensar nas Dez Pragas do Egito, mas seja lá como for, tem como causa também a destruição ambiental. Faltam predadores naturais e, em pouco tempo, os predados somos nós e nossos bens.

São dias difíceis. Mais para uns do que para outros, é verdade. Temos que lamentar os mortos e, em respeito a eles, prosseguir protegendo os demais, além de nós mesmos. No meio de tudo isso, sorrir também é defesa, é autopreservação. E se chover gafanhotos? Estaremos de máscaras e raquete elétrica, a postos para mais uma batalha. E que Deus nos ajude!

Cinthya Nunes é advogada, jornalista e espera que gafanhotos se apiedem de nós e partam rumo a outro planeta – Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.