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Em várias oportunidades eu já me manifestei no sentido de gostar do lado bom que as redes sociais podem oferecer. Uma dessas vantagens é a possibilidade de poder trocar ideias, de ser um espaço democrático. Contudo, preciso registrar que tenho repensado esse meu posicionamento, sobretudo em tempos de intolerância e política.

Tenho por hábito não excluir ninguém das minhas redes sociais, mas tenho me segurado a cada dia mais para não fazer isso ou mesmo para não apagar meu perfil e simplesmente deixar a vida para o real mesmo. Ao menos, desse lado de cá da tela ainda é preciso o olho no olho.

Não costumo polemizar nas postagens alheias, da mesma forma como prezo por respeitar as opiniões alheias. Seja no real ou no virtual, jamais me achei no direito de querer fazer valer meu ponto de vista em conversa dos outros. Desde criança eu aprendi que o nome disso é educação. Posso não saber muitas regras de etiqueta, mas aprendi o básico para viver em sociedade.

O que tenho notado, no entanto, é que as pessoas não se deixam intimidar pelo espaço alheio. Invadem e, repletos de “coragem”, escondidos por detrás de uma tela, escrevem o que bem lhes apetece, doa a quem doer. No meu caso, inclusive, há quem seja “habitual debatedor” dos meus dizeres, mas que mal me cumprimenta quando me encontra pessoalmente.

O que mais me cansa nas redes sociais é o ódio que vem crescendo e se alastrando. Tudo é motivo para revolta. Em tempos de política, principalmente, a situação fica quase insuportável.  Não se pode comentar sobre algum candidato que rapidamente se é tachado de umas mil coisas, sem que sequer você tenha a chance de se manifestar a respeito.

Tudo hoje parece estar reduzido a um simplismo ridículo e dualista, como se só houvessem dois lados, como se tudo fosse uma questão de bem e mal. Não sei quem vai ganhar essas eleições, mas estou certa sobre quem já perdeu: o bom senso!

Causa-me espanto ainda constatar que em um mundo globalizado, ao invés de estarmos nos transformando em uma imensa aldeia global, estamos cada vez mais segmentados, separados em guetos invisíveis e cruéis. Só se fala em minorias, em subdivisões e em quanto as pessoas são melhores por serem diferentes e eu vou me confundindo, pensando que deveria ser ao contrário, que a busca pela igualdade é que levaria à evolução.

Não sou uma alienada e é claro que sei que há muito desigualdade nesse mundo. Muita gente com muito pouco e muito poucos com quase tudo. Claro que há batalhas que deverão ser travadas. Por óbvio que há quem sofra mais que outros, mas o que me irrita absolutamente é ver pessoas se valem de bandeiras apenas para declarar guerra e nunca para postular a paz.

A seguirmos fatiando o mundo, pouco ou nada sobrará que nos possa unir. Enquanto o ódio for o tempero, todos morreremos de fome...