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E toca falar de futebol... Quando o assunto é esporte minha preferência é para a prática dele. Jamais fui uma pessoa sedentária e embora aprecie a boa soneca, sou agitada e não gosto de ficar quieta por muito tempo, exceto se estiver com um livro em mãos. Assim, na medida das minhas possibilidades físicas ao correr dos anos, sempre aliei aos meus dias a prática de alguma modalidade esportiva.

No caso do futebol é a mesmíssima coisa. Cheguei a integrar um time feminino nos meus tempos de colegial, o ensino médio dos dias atuais. Admito que gostava muito da emoção de correr atrás da bola, de tentar driblar a jogadora do time adversário e do indescritível de marcar um gol. De fato, posso dizer que foi uma atividade prazerosa e que deixou boas lembranças. Paradoxalmente, porém, quase não suporto assistir esporte pela televisão, principalmente futebol.

Há algumas semanas, a convite de um primo e esposa, fomos assistir a um jogo do Corinthians, na Arena. Não sou uma torcedora fanática, muito pelo contrário. Não sei absolutamente nada do time, como quem são os jogadores, o que já ganhou ou deixou de ganhar e nem me interesso, para ser honesta. Gosto mesmo é de brincar, de forma saudável, com os amigos que torcem para outros times, somente isso. De toda forma, eu tinha curiosidade de ver como seria assistir um jogo em um estádio que todos diziam ser muito bonito.

Fomos até o estádio de metrô e embora não fosse nenhum jogo importante, assustei-me com a quantidade de torcedores que para lá se dirigia, muitos entonando o hino do time, mas outros em grupos que pareciam irradiar fanatismo irracional. Espantou-me, de cara, as proporções gigantescas do lugar. De fato, tudo muito bonito, conversado, organizado. Ficamos em um local no qual poderíamos assistir o jogo sentados, mas não conseguimos fazê-lo, já que todo mundo assistia, inexplicavelmente, em pé, de forma que se assim ficássemos também, era melhor assistir de casa, já que não veríamos nada.

Quando o Corinthians marcou um gol, foi indescritível a alegria dos torcedores e inexplicável a reação da torcida organizada que, em movimentos síncronos, parecia formar um único e explosivo ser. A atmosfera era contagiante e foi uma experiência sui generis, para dizer o mínimo e valeu a pena, até porque realmente algo que não sei explicar acontece nesse tipo de ambiente. É como se uma força tornasse a todos um pouco zumbis e eu até pensei em pedir um salgadinho de cérebro para acompanhar, rs.

De minha parte, somente o dia em que parte substancial da bilheteira for revertida para algo que de fato importe, ou se eu mesma tivesse participação, é que seria capaz da devoção que muitos tem. Não é o futebol em si, registro, mas tudo o que se fez dele, uma grande máquina de fazer dinheiro. Eu não concebo, desse modo, brigar com um amigo ou com um desconhecido por conta de algo que não muda em nada a minha vida e, muito provavelmente, a dele também.

Em tempos de Copa do mundo, meu sentimento é o mesmo. Tanto a ser feito, a ser discutido, e praticamente tudo para somente para que a população possa assistir a jogadores que tem, no caso dos brasileiros, salários milionários, que posam de heróis, mas que jogam sem nenhum superpoder. Vergonhoso que até órgãos públicos tenham até mesmo expediente alterado por conta disso. O Brasil não está em condições de se dar a esse luxo, não se considerando o caos político e econômico em que vivemos.

No meu caso, há mais um motivo para não dar ibope para a Copa do Mundo na Rússia, que é a tristeza de saber que aquele país simplesmente para maquiar seus espaços, cruelmente matou centenas de animais que viviam nas ruas. Se é preciso de belo, mas não é preciso ser bom, prefiro jogar a bola para frente e me concentrar naquilo que de fato está ao meu alcance mudar. Não critico a quem assiste e prestigia com devoção, mas essa, definitivamente, não é a minha praia, nem meu campo.