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Gosto de viajar e de programar as minhas viagens. Não viajo muito, no entanto. Primeiro porque não é fácil economicamente me ausentar por longos períodos. Como professora universitária, eu tenho que conciliar minhas férias com as férias escolares, período de alta temporada, o que encarece, infelizmente, quase todos os destinos. Além disso, tenho vários animais de estimação e não é tarefa simples deixá-los aos cuidados de outras pessoas por muito tempo. Tanto as viagens nacionais como as internacionais sofrem um expressivo aumento em seu custo, o que acaba dificultando viagens para locais mais distantes.

Mas a questão financeira não é o único empecilho para maiores viagens. O fato é que não fico confortável ficando afastada de casa por muito tempo. É até difícil de explicar, mas chega um ponto em que sinto legítimas saudades de casa. Fico com banzo. Sinto falta do cheiro e da maciez da minha cama, dos meus programas de televisão, dos meus bichos, dos meus livros. Em resumo: daquilo que verdadeiramente é meu, no sentido mais filosófico da coisa.

Viajar, é claro, é sempre muito bom. Conhecer lugares, pessoas, culturas, paisagens, tudo acrescenta aos olhos e ao coração. Se as companhias são boas, o trajeto é ainda melhor. Toda viagem, penso, é uma espécie de missão de reconhecimento ou de reencontro. Não se sai ileso, emocionalmente, de uma viagem a lugares desconhecidos. Sempre voltamos maiores, repletos de outras pessoas, aquelas que conhecemos ou apenas notamos em meio às multidões.

Costumo tirar sempre muitas fotos das minhas viagens, feitas com meu celular mesmo, muito menos para exibi-las aos outros, mas muito mais para eternizar as imagens que me marcaram. Lamento a infelicidade de não sermos capazes de registrar de forma perene tudo o que vemos, lugares, pessoas e mesmo aquilo que sentimos nessas horas, nos momentos nos quais o vento nos acaricia ou açoita a pele, nos quais o sol nos aquece daquela forma que só sentimos quando estamos em férias, quando desligamos de nossas preocupações.

Viajar, inegavelmente, expande nossos horizontes, mas eu acredito que um de seus principais efeitos está nas novas cores nas quais pinta nossas antigas e às vezes já desbotadas paragens. Acredito, de o fato de nos distanciarmos um pouco de nossa realidade faz com que sejamos capazes de enxergar nossos lugares de forma mais isenta. Ao menos é o que acontece comigo: o retorno sempre me significa um recomeço.

Quando chego de viagem, com a cabeça a mil e a mala repleta de roupas sujas e souvenires, após matar a saudades daqueles que por aqui ficaram, sinto uma paz de espírito por estar onde tudo é familiar, onde os sabores e aromas são conhecidos. Gosto de voar, literal e simbolicamente, mas amo a segurança de sentir o chão sob meus pés. Sou grata por ter um porto a aportar, por saber um pequeno lugar nesse mundo eu posso chamar de lar. Chegar significa ter vencido mais uma aventura. Estar de volta é uma benção, pois só assim serei capaz de partir novamente...