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Quem me conhece sabe que meu amor pelos animais é algo que não escondo, que não disfarço e de que não me envergonho. Não me lembro de um só momento em que eu não estivesse rodeada por eles ou desejando estar. Gosto de pássaros, peixes, cães, gatos, animais silvestres, pequeninos, grandes, bonitos, feios, mansos ou ferozes. Para mim, por sinal, os animais, pela sua diversidade, são as mais belas obras da natureza.

Não sou daquele tipo de pessoa que prefere bicho a gente, mas nem o contrário. Não tenho filhos e é provável que não os tenha, e isso por opção. Tenho muitos animais em casa, o que não significa, por outro lado, que eu os considero como os filhos que não tenho. Nada contra quem, diga-se de passagem, mas não é dessa forma que os vejo. Eu os tenho como seres que amam e aos quais eu posso dar amor e aos quais devo respeito.

Confesso que me espanto quando vejo as crueldades que são cometidas contra os animais, sobretudo fotos de gente, por pura maldade, que esfola, tortura e infringem sofrimento a criaturas indefesas. Tenho verdadeiro asco pelas chamadas Festas do Peão nas quais uma plateia aplaude um infeliz judiando de um pobre e assustado animal. Algo me faz lembrar de arenas e leões, e tudo, no presente e no passado, parece-me um absurdo sem fim.

Igualmente não consigo entender quem acha que tudo vale para comer um fígado de ganso inchado ou para se arvorar que usa pele legítima. Não é a mesma coisa que matar para comer, por necessidade. Não é algo que eu consiga entender sem que me doam as entranhas.

Por outro lado, também não me sinto confortável quando vejo gente que move mundos e fundos quando vê um cão abandonado, mas que passa tranquilamente pelas calçadas nas quais dormem crianças drogadas e à margem de qualquer amor ou cuidado.

Assim, penso que são sentimentos que não se podem excluir mutuamente, mas que deveriam se complementar. Nossas dores deveriam ser pelo mundo e por todos os seres que aqui dividem o mesmo céu e o mesmo inferno.

Sonho como um mundo no qual não se discuta o amor do outro, não se julgue se alguém chora pela perda de um animal de estimação ou por um filho que se desviou do caminho. O amor é o caminho, seja ele como for e para quem for.

Senhor, fazei-me o instrumento de vossa paz... E Salve Chico!