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Em outros momentos já comentei que gosto do bom uso que se pode dar para as novas tecnologias. Mídias sociais e aplicativos de comunicação podem ser extremamente úteis se utilizados para coisas boas. Para além de otimizar tempo que seria gasto em longas reuniões, possibilitando troca de opiniões em tempo real, bem como para permitir que se possa estudar das mais variadas formas, ainda viabiliza reencontros impraticáveis fisicamente.

E foi através do Whatsapp que, na semana que se passou, pude reencontrar, ainda que virtualmente, meus amigos de colegial, o que os mais novos conhecem como ensino médio. Acordei em uma manhã e vi que tinha adicionada a mais um grupo entre as dezenas das quais faço parte no referido aplicativo de celular. Em poucos minutos mais e mais pessoas, cujos nomes fui reconhecendo aos poucos, foram chegando e trazendo de volta memórias de quase trinta anos atrás. E foi assim que eu me senti entrando em uma máquina do tempo virtual...

De início tive um sobressalto, pois embora houvesse nomes muito familiares, de pessoas com as quais mantenho contato até hoje, de forma quase ininterrupta, vi surgirem nomes dos quais eu simplesmente não era capaz de associar a nenhum rosto, a nenhuma memória. Senti-me mal com isso, pois como pode um amigo desaparecer de nossas lembranças? Pessoas com as quais trocamos confidências juvenis, com as quais convivemos por longas aulas com os olhos quase fechando de sono ou fazendo força para não cair na gargalhada pelas coisas mais tolas possíveis...

Vê-los se reapresentando novamente, cada qual com suas respectivas histórias de vida, com cônjuges, filhos e toda bagagem que se acumula após quase trinta anos de caminhada, foi algo emocionante. Ao mesmo tempo em que estamos mais velhos, alguns mais gordos, com menos (ou nenhum, rs) cabelo, com marcas de expressão circundando os olhos, ainda é possível vislumbrar, em um olhar mais atento, mais gentil, que ainda somos os mesmos, só criança

É preciso, no entanto, registrar que para alguns o tempo foi extremamente generoso, seja porque os conservou na aparência ou porque realmente os melhorou. De algum modo, porém, estamos todos como um bom vinho, apurados em nossas essências, trilhando o caminho do qual a vida nos incumbiu. Triste, por outro lado, saber que nem todos ainda estão por aqui, desse lado da linha do horizonte. Partiram jovens, deixando a perplexidade do inexplicável e a dor da saudade.

Comemorar, assim, nosso reencontro é também relembrarmos aqueles que partiram. Colegas queridos cuja história se abreviou precocemente. Lembrei-me especialmente de um deles, sempre sorridente e acompanhado de seu saxofone. Quando minhas memórias foram voltando, lembrei-me de que eu fazia a ele pedidos especiais de músicas que eu gostava. Chorei por uma saudade que eu nem sabia que tinha...

Nesse grupo, em menos de uma semana, dei minha risada sozinha, olhando para as mensagens que não param de chegar. Quantas histórias boas! Éramos, nos termos atuais, politicamente incorretos, mas ninguém morreu por isso! Todos tínhamos apelidos, mesmo que não soubéssemos. Agora mesmo, de muita gente só me recordei pelo apelido, percebendo que talvez eu nem soubesse o nome, até porque éramos chamados por números na escola. Descobri, por uma amiga de memória de elefante, que o meu era 1094! Acho que as chances de que eu me lembrasse disso sozinha beiram o zero.

Cada um de nós está de um lado do Brasil, havendo aqueles que estão até em outros continentes, mas ainda assim, de um jeito doido, estamos de novo todos juntos. Já marcamos encontros que talvez não ocorram por conta das distâncias e da vida mesmo de cada um, mas se eu fechar os olhos, estou de novo com 15, 16 anos e meus amigos estão todos por ali, ansiosos pelo futuro, repletos de planos, medos e sorrisos. Talvez eles não saibam, mas acabamos de inventar a máquina do tempo...