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A cada dia que passa eu tenho a percepção de que as pessoas, em geral, estão ficando menos tolerantes e impacientes. De minha parte, também não fico muito diferente, sobretudo em algumas épocas do ano. Busco, contudo, estar atenta aos meus próprios excessos, porque, no fim, a maior prejudicada serei, direta ou indiretamente, eu mesma.

O que percebo é que o nível de estresse das pessoas está muito alto. Não sei se é um fenômeno moderno ou se é mais característico das grandes cidades, mas eu não tenho a impressão de que sempre tenha sido assim. Ao meu sentir, porém, há lados positivos e negativos nessa forma de ver e agir.

É importante que sejamos intolerantes com a corrupção, com o descaso, com o desvio do dinheiro público, com a crueldade, com a violência e com a maldade, mas, por outra monta, tem muita gente perdendo a cabeça por nada, confundindo as coisas, distribuindo grosserias, muitas vezes em pleitos sem qualquer fundamento.

O trânsito é um exemplo disso. Não se pode errar um caminho, esquecer uma seta, demorar uma fração de segundo a mais sem que alguém dê uma buzinada, xingue, grite ou até parta para violência física. Desde que roubaram meu carro, deixei de dirigir. Mas, ainda assim, quando carona, fico apavorada em ver como as pessoas perdem o senso do risco e do razoável em uma fração de segundos. Creio que grande parte dos acidentes decorra da excessiva beligerância dos motoristas, da intolerância com pequenos deslizes alheios. O mais curioso é que, quando o deslize é próprio, tudo o que se espera é compreensão do outro...

Outro exemplo são as filas e salas de espera. Ninguém gosta de esperar, é fato. Vivemos um momento no qual o tempo é a moeda da vez. Dita as regras para quase tudo e é impiedoso com quem o ignora, mas, nem sempre é possível seguirmos o relógio, como autômatos. Assim, quando as pessoas são obrigadas a esperar, reclamam, falam o que lhes vem à cabeça, perdem a compostura até. Querem prioridade por isso e por aquilo e por qualquer coisa. Basta inverter a coisa e tudo muda de figura. Todos querem ser perdoados pelo atraso de alguns minutos, pela perda de um prazo...

Também sou uma pessoa que às vezes perde a linha, confesso. Também desejo que perdoem meus equívocos, que tenham piedade de minha alma, do mesmo jeito que odeio esperar, mas tenho buscado, a cada novo dia, colocar-me da posição do outro e pensar em como eu me sentiria ouvindo-me. Algumas vezes, percebi, sou assustadora e não gostei do que vi. Não é fácil e nem é simples. Somos acostumados a olhar o universo sobre nosso prisma e ver o mundo pelos olhos alheios, sentir pelo coração dos outros, pela dor do próximo, é um exercício necessário e de evolução...

No fim das contas, concluo, nem conosco devemos ser intolerantes, mas sim usarmos os bom senso como tempero para todos os sabores da vida...