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Se eu pudesse, quando criança, teria mergulhado sem pestanejar dentro de um ninho de formigas, explorado uma colmeia de abelhas ou me escondido sob a proteção de um casulo. Nos meus devaneios, nas minhas brincadeiras fantasiosas, isso aconteceu muitas e muitas vezes. Temia até que um dia, de por conta desse desejo, uma fada qualquer me fizesse encolher tanto que jamais seria encontrada pelos meus pais. Perdida, sozinha, teria que pedir abrigo no formigueiro mais próximo.

O mundo em miniatura sempre me atraiu, principalmente aquele habitado por criaturinhas de formatos e cores incríveis. Eu era capaz de passar horas observando a lida das formigas, naquele leva e traz de coisinhas. Quando ganhei uma lupa, contemplava suas anatomias um pouco melhor, mas sempre com cuidado para que o sol não as fuzilasse através da minha lente. As lupas sempre me pareceram como mágicas janelas, as quais eu buscava abrir com minha curiosidade.

A vida dos insetos, suas organizações sociais e suas transformações até hoje me encantam. Na infância criei larvas de besouros que ficavam em um caixa de madeira, comendo pães velhos, pedaços de mandioca seca e outras coisas que já nem me lembro. Recordo-me das larvas gordas, amareladas, que um dia paravam de se mexer e iam mudando de forma até se transformarem em imensos e brilhantes besouros.

Também criei os à época famosos besouros do amendoim. Era besourinhos pretos que roíam amendoim, botavam ovos, viraram larvas e se transformavam em besouros novamente.

lardeavam algumas pessoas que eles que tinham propriedades medicinais, devendo um chá de besouros ser incorporado ao cardápio matinal. Por óbvio que jamais tive coragem e por vários anos, em um vidro, na cozinha de casa, acompanhamos o ciclo de vida deles.

Criei ainda bicho-da-seda, eis que após cinco dias indo diariamente admirar as larvas em uma exposição, ganhei umas dezenas delas, juntamente com instruções de como proceder.

limentamos as larvas, macias e brancas como seda, com folhas de amoreira e assistimos à construção dos casulos. Se eu quisesse mantê-los daquela forma, deveria fervê-los, assassinando assim as pupas, o que me recusei. Tempos depois as borboletas vieram, lindas e brancas.

O correr dos anos não levou a pequena bióloga doida que me habita e foi assim que hoje tenho duas colmeias, compradas pelo correio, uma caixa de minhocas para compostagem e, minha mais nova aquisição, uma minúscula criação de joaninhas. E eu que nem sabia que esses pequenos rubis voadores estavam em risco de extinção, sobretudo nos grandes centros urbanos.

Também, o que não está em risco nesses lugares?

Além de lindas, as joaninhas são predadoras de pragas como pulgões e tem importante papel no controle de outras espécies. Através de uma amiga descobri um projeto incrível e adquiri meu JOANINHO. Dentro de uma estrutura plástica na forma do inseto coloquei as larvas que vieram no kit, juntamente com um pozinho (são ovinhos de outro inseto) que lhe serve de alimento.

As larvas, completamente diferentes do inseto adulto, são pretas e tem umas perninhas. Dentro de alguns dias ficarão inertes para de dentro da casca formada, emergirem vermelhinhas e com asas, prontas para serem soltas na natureza. Sempre que se quiser observar o ciclo novamente, basta adquirir o refil. As minhas estão em casa há dois dias e não me canso de admirá-las, ansiosa pelo dia em que as levarei até meu pequeno jardim em vasos, certa de que fiz algo, vermelho de bolinhas pretas, de útil para o mundo.

Cinthya Nunes é jornalista, advogada e desvia para não pisar nos insetos que encontra por aí, porque nunca se sabe quando será preciso pedir refúgio em algum formigueiro - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.